sexta-feira, 29 de junho de 2007

Perguntas...

Quando estou com os «meus meninos grandes», a tabalhar, como tu dizes, meu amor, olho para eles e imagino-te com a idade deles, imagino-te daqui a uns anos e sinto um turbilhão de perguntas invadir o meu pensamento.
Sinto um nó na garganta porque chego à conclusão que não tenho o poder de parar o tempo e ter-te para sempre só para mim, tão doce, tão pequenina, tão inocente... As lágrimas vêm-me aos olhos e a muito custo consigo retê-las porque sei que a cada dia que passa cresces e te tornas cada vez mais independente de mim, porque sei que aos poucos vais querer a começar a conquistar (sem a minha ajuda) o teu próprio espaço no mundo, a lutar pelos teus sonhos...
Imagino como será o teu futuro!
Será que vais continuar a querer os meus miminhos? Será que vais continuar a querer ouvir as minhas histórias? Será que vais continuar a querer olhar para mim como o teu porto de abrigo, a tua segurança? Será que vais continuar a querer-me só para ti? Será que vais continuar a querer falar comigo com o mesmo entusiasmo com que falas agora (embora as tuas conversas, linda, ainda sejam tão inocentes!)? Será que vais continuar a querer que eu seja a tua melhor amiga?
Será? Será?
Tantas perguntas para as quais não consigo obter respostas... resta-me esperar que o tempo passe devagar, bem devagarinho, para que, por ainda muito tempo, te possa guardar o cheiro tão incrivelmente doce, ver o sorriso tão surpreendentemente inocente, ouvir o riso tão alegremente sonoro mas, acima de tudo, meu amor, ver o teu olhar tão desmesuradamente sincero, puro e transparente... sentir-te por muito tempo ainda tão egoistamente minha, o meu bebé, a minha menina, a minha princesa...
No entanto meu amor, há algo que jamais o tempo poderá apagar nem modificar... o meu amor e o meu desejo de te ver crescer feliz, como nos contos de encantar de que tanto gostas!

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Cansaço...

A mamã tem andado tão cansada... as aulas nunca mais acabam e a recta final é sempre a mais difícil! Sinto-me cansada, um sono que insiste em perseguir-me o dia todo e que, no final do dia, se acentua ainda mais e por vezes me faz perder a paciência! É, meu amor, perdoa-me se às vezes a mamã não tem energia suficiente para te acompanhar nessa tua vontade enorme de viver, perdoa-me se às vezes perco a paciência com as tuas birras ou com as tuas brincadeiras infindáveis, principalmente antes de adormeceres. Por vezes zango-me contigo porque insistes em não querer nanar mas, imediatamente, sinto um nó na garganta porque afinal de contas que me interessam as outras coisas se te tenho a ti?
Passo o dia todo a pensar em ti, no teu sorriso, nos teus miminhos e nos teus abraços e o tempo passa mais rápido só porque sei que vou voltar logo para casa para te poder abraçar, olhar para o teu rosto, ver-te sorrir, ouvir as tuas gargalhadas e as tuas conversas por vezes tão sem sentido mas tão importantes para mim... Depois, quando te tenho só para mim, fico triste quando não consigo que o cansaço acumulado me impeça de te gozar o mais possível ou quando sinto que a minha paciência escasseia e me impede de suportar as birras ou o excesso de vivacidade.

Perdoa-me, bebé, mas quero que saibas que te amo mais que tudo... és a razão pela qual luto todos os dias, és a minha vida, mas como diz o ditado "quem não ralha, não gosta!". Espero que um dia percebas isso e desculpes a mamã (tenho a certeza que sim porque sabes que o meu amor por ti é incondicional)!
...
Há pouco, antes de adormeceres (comigo a teu lado e depois de contadas duas histórias!) insistias em não querer adormecer, falavas, mexias-te e a mamã tão cansada, com os olhos quase a fechar de tanto sono... Zanga da mamã e imediatamente a tua resposta "A mamã é muto, muto minha...". O tempo parou naquele preciso momento... o cansaço evaporou-se ao ouvir tais palavras, o sono desapareceu, as preocupações evaporaram-se e só consegui abraçar-te muito forte e a desejar que aquele momento nunca mais passasse e te pudesse guardar sempre assim, tão abraçadinha a mim, com o teu rosto encostado no meu, com as tuas mãozinhas a fazerem-me festinhas! (e adormeceste logo de seguida, que nem um anjinho!) Tão deliciosamente minha...
Realmente a mamã é só tua! O que me interessa o resto se te tenho a ti? Isto basta-me, não consigo desejar mais nada... e contra este amor, princesa, não há cansaço que vença!

domingo, 24 de junho de 2007

Palavras...

Há palavras que nos tocam, outras que gostaríamos de esquecer e fingir nunca tê-las ouvido…
Há palavras que magoam e outras que gostaríamos de recordar para sempre!
Como diz o poeta “são como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incêndio. Outras, orvalho apenas”. De facto, é impressionante o poder que simples palavras podem exercer nas nossas vidas. É incrível como meras palavras proferidas por vezes ao acaso podem simplesmente transformar uma lágrima em sorriso, uma tristeza em alegria, uma dor em carícia, um mero instante num momento inesquecível!

Ultimamente sempre que te ouço falar, meu amor, sinto uma enorme vontade de guardar todas as tuas palavras para sempre em mim… gostaria de gravar na minha memória cada conversa tua, cada palavrinha nova que dizes, cada frase (cada vez mais complexa e gramaticalmente bem estruturada!) que pronuncias!
Saídas da tua boca, as palavras ganharam para mim um sabor especial… o sabor de um mundo em descoberta!
Adoro quando conversas connosco, embora por vezes ainda seja difícil perceber tudo o que realmente nos estás a querer contar, mas é tão delicioso ouvir-te falar, ouvir-te finalmente a transmitir-nos os teus desejos e mesmo os teus sentimentos! Sim, meu amor, porque tu és quem melhor me faz declarações de amor “Goto muto de ti, ó mamã” (dando-me um daqueles Xis que só tu me consegues dar) ou “Anda cá mamã” (e dás-me um beijinho e acaricias o teu rosto no meu) ou ainda, depois de dar um beijinho ao papá antes de nanar "Um beixinho à mamã! O papá tamém gota muto da mamã!".

Palavras… um mero conjunto de letras que me fazem sorrir e sentir que a cada dia que passa te vais transformando num ser já com personalidade bem definida (teimosa…), num ser com desejos, vontades, sonhos, imaginação, alegria, frustrações e mesmo desilusões (infelizmente elas fazem parte deste mundo novo que estás a descobrir aos poucos, meu amor!).

Há palavras que magoam e ferem, palavras magoadas que insistem por vezes em nos entristecer…
Há palavras que destroem e machucam, palavras que nos ajudam a perceber que nem sempre o mundo é o melhor sítio para se estar…
E são estas palavras, meu amor, que eu gostaria que nunca chegasses a conhecer o significado, são estas as palavras que eu gostaria que nunca constassem do teu vocabulário ou do mundo que te rodeará um dia. Sei que é utopia, as palavras perseguem-nos, as palavras são a nossa vida, são a nossa forma de aprender e crescer, são elas que nos fazem ver que nem sempre a realidade sonhada é a realidade vivida mas prometo-te, meu anjinho, que te ajudarei sempre a lidar com elas e que te ensinarei (o melhor que puder, claro!) a lhes dar o devido valor e a usá-las da melhor forma e a saber, acima de tudo, distinguir as boas das más.

Mas há palavras que já ficaram gravadas em mim, que nem a eternidade conseguirá apagar… as tuas, meu amor… puras, sentidas, verdadeiras!

sábado, 23 de junho de 2007

Parabéns papá...

Paaéns papá! O papá fez anos ontem mas como só festejamos hoje, ontem à noite tivemos os três direito a um bolinho de chocolate só para ter o prazer de te ver cantar os parabéns e desejar “uitas feicidades ao menino papá”. Foi uma ternura ver-te cantar e bater palminhas e, claro, soprar as velas, porque tu também tens direito, não é, meu amor? Depois, um beijinho bem sonoro ao papá (finalmente já sabes – ou queres – dar beijinhos na cara sem a chupeta e sem ser a encostar simplesmente a tua carinha), que ficou enternecido, claro! Depois, o papá teve que sair para ir a uma reunião e custou-nos tanto ver-te chorar a chamar pelo papá Papá, queo o papá. Vamos ver o Pom Soier papá!, e um vale de lágrimas a rolar pelo teu rosto. Foi complicado acalmar-te. Estás tão habituada a ver um bocadinho dos teus desenhos animados com o papá depois do jantar e antes de ir nanar que custou-te muito ver que o papá ia sair e não poderias ter aqueles momentos só vossos de que tanto gostas… Pus-te a falar com a M. ao telefone e a mandar um beijinho à I. pequenina, como tu lhe chamas, e tu lá acalmaste. Enquanto a mamã arrumou a cozinha, estiveste sossegadinha a ver o Panda e depois, bem agarradinha ao meu pescoço ainda gozámos alguns momentos de carinho e ternura antes de ires lavar a carinha e os “dentos”. Perguntaste novamente O papá? Não tá! Não xei! Disse-te que tinha ido comprar uma prenda e sorriste na expectativa Ua penda pá J.? Sim meu amor, uma prenda para a J. (e o papá lá comprou hoje uma caixinha de lápis de cera com os quais deliraste! Afinal era verdade, o papá sempre te foi comprar uma prenda!) Adormeceste a ouvir os Três Porquinhos, bem abraçadinha a mim (tão bom!) e apeteceu-me naquele momento que o tempo parasse e te pudesse guardar para sempre assim, bem abraçadinha a mim, para que de tudo e todos te pudesse proteger!
(...)
Hoje, o dia foi longo e apesar de teres nanado quase doze horas seguidas de noite, espanta-me a energia com a qual vives cada momento, essa energia inesgotável que te caracteriza na tua ânsia de absorver tudo o que te rodeia, na tua vontade interminável de descobrir o Mundo e desfrutar de tudo o que ele te pode oferecer. De tarde, festejámos os anos do papá com avós, tios e primos e, claro, o sono insistiu em não chegar. Não dormiste o dia todo e apesar de teres passado todo o dia a brincar, a andar de xicleta, de mota, de popó, de escuega e aoiço (Anda A. anda andar de aoiço comigo, os dois! Aora, queo escuega!), ainda tiveste energia suficiente de me dizer, depois de te perguntar se estavas cansada (às 18h30!), Vamos à I., mamã? À L. e ao P.? Sim filha, vamos, respondo-te impressionada com a tua energia, com a tua alegria no olhar… A I. vai icar contente e a J. tamén! Eu sei, meu amor, que estar com a I. te faz feliz e que ficas contente mas como consegues? Como consegues ter tanta energia?
Chegámos a I. e foste tomar um bainho, recuperar forças para ainda poderes brincar e saltar com a I. até às dez da noite. E sempre bem disposta, sem birras, sempre feliz por poder estar rodeada de quem mais gostas, e isto faz-me feliz… Gosto que gostes de estar com as pessoas, gosto que gostes de conviver, mas gostava tanto de perceber, meu anjo, como consegues ir buscar tanta energia?
(…)
Acabei de te adormecer, demorou dois minutos, a meio da Branca de Neve já tu tinhas entrado no mundo imaginário dos sonhos e da fantasia, nesse mundo a que só tu tens acesso e onde tudo é mágico e enternecedor! Pareces um anjinho a nanar, e olhando para ti só me apetecia gravar-te a imagem de bela adormecida a recuperar forças para conquistar o mundo que a aguarda, para recuperar forças para viver o dia de amanhã que a espera… e gostava, meu amor, de ser de novo criança para poder viver, nem que fosse por um só instante, um dia tão repleto de emoções e alegria com essa energia inesgotável que só a tua felicidade deixa transparecer!
Espero, meu amor, que toda essa energia que parece nunca ter fim te acompanhe para sempre na tua vida e te ajude a ultrapassar todo e qualquer obstáculo que te possa surgir, que te ajude a conquistar as mais altas vitórias, que te ajude a ser (se isto for possível!) ainda mais feliz!
(…)
Paraéns Papá! O Papá é indo… a mais bela prenda de aniversário que o teu papá algum dia recebeu!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Momentos inesquecíveis...

(foto retirada)

Há momentos na nossa vida que deveríamos poder guardar eternamente na nossa memória… Pequenos instantes que passam por nós sem que por vezes lhes saibamos dar a devida importância! Se sempre pensei que o ser humano deveria ter o dom de poder escolher e preservar as suas memórias, tal e qual como ele o desejasse, agora que estás connosco, meu amor, cada vez penso mais nisso! Por vezes, gostaria de ter o poder de parar o tempo e guardar no baú mágico das minhas lembranças pedacinhos de ti… bocadinhos da criança feliz que és e que a mamã gostaria de guardar para sempre! Risos, lágrimas, gargalhadas, sorrisos, olhares ternos, traquinices, brincadeiras, palavras mágicas, carinhos!




O meu coração abriga já tantos momentos inesquecíveis destes dois anos contigo que me considero já a pessoa mais feliz e rica do mundo! São momentos tão mágicos, tão puros, tão nossos que a mamã promete-te que os preservará para sempre com tamanha ternura, com tamanho carinho, com tamanho amor que nem a violência por vezes tão cruel do mundo que nos rodeia os conseguirá apagar. Todos estes momentos são o meu maior tesouro, a minha maior riqueza. São estes momentos que me ajudam a passar o dia para regressar rapidamente para ti, são estes momentos que atenuam a saudade quando estou longe de ti, são estes momentos que me fazem pensar que só agora conheço o verdadeiro significado da felicidade, são estes momentos que me ajudam a enfrentar a agitação por vezes tão egoísta do quotidiano, são estes momentos que me fazem por vezes esquecer a injustiça e a hipocrisia que por vezes nos assombram pois é a estes momentos que dou verdadeiramente valor… tudo o resto deixa de ser tão importante assim!




É tão bom ver-te rir, com um riso puro e a transbordar de alegria! Hoje, como conseguimos estar os três juntos, com mais tempo para nós, pude desfrutar com mais intensidade destes nossos momentos… De manhã foi a mamã que te levou à escolinha e que pôde apreciar o beijinho cheio de ternura que me deste quando entraste com a V. para a tua salinha. À tarde, em vez do duche por vezes apressado que a correria do dia-a-dia me faz dar-te, hoje tomaste banho com o papá! Que alegria… “Vamos tomar banhinho J.? Com o papá?” “XIM, com o papá… Papá, anda tomar bainho… anda”. Foste de avião até à casa-de-banho nos ombros do papá a gritar “Bainho… papá… vamos tomar bainho, com a J.” Na banheira era ver-te a rir por estar a chapinhar na água e molhar, claro, tudo e todos! “Olha!” (e montes de água a cair para o chão) “Baleia amaela, bainho” (e davas banhinho à baleia amarela, à vermelha e à foca, menos à “tatauga vede” que anda na água porque tens medo dela!) No fim peguei em ti, enrolei-te na toalha e novamente palavras que gostaria de gravar para sempre “Olha ó mamã, o papá tá suinho” (o papá estava na banheira a acabar de tomar banho) e rias desalmadamente, com um daqueles risos que nos contagiam. Enquanto te secava o cabelo querias mais e mais brincadeira, então era ver-te a chamar pelo papá “Ó awid, anda, PAPÁ! PAPÁ… anda à J.




Muitos beijinhos, muitos abraços, muito colo, hoje tivemos direito os três a tudo… a tudo o que nos pertence por direito mas que nem sempre conseguimos aproveitar ao máximo! Até à “iopodina” em vez do “Pom Soier” (este só para te adormecer!). Já estavas com saudades da “tatauga bebé, do bata suxa e do doitor dói-dói”. Antes de nanar ainda me disseste, com muita pena do papá “Mamá, xabes, o papá foi ao doitor dói, dói…” e fazia-lhes festinhas!




Meu amor, poderia continuar aqui a descrever os nossos momentos, o nosso dia mas tudo em ti é motivo para escrever por isso, meu anjo, prometo-te que se nem sempre puder transcrever para palavras o que vivemos e partilhamos, a mamã arquivará carinhosamente na sua memória todos os bocadinhos de ti que não conseguir transpor para o papel…



É impossível não conseguir recordar eternamente todos estes momentos inesquecíveis!

sábado, 16 de junho de 2007

Sonho...

Por vezes, no silêncio profundo da noite, e quando te vejo como um anjinho a descansar, num sono tranquilo e enternecedor, olho para o teu rosto e sonho…

Sonho, e vejo-te daqui a muitos anos, já crescida…
Sonho, e vejo-te a voar por entre o tempo…
Sonho, e vejo-te em mundos longínquos e em sítios novos… longe dos meus braços, da minha protecção, de mim!

Sonho, sonho-te feliz nesse novo mundo que um dia será teu, nesse mundo que vais descobrir e conquistar!
Sonho, sonho-te com asas de pássaro a voar livremente num mundo que terá sido criado só para ti, para te acolher e te proteger…
Sonho, sonho-te nesse lugar onde nem sempre poderei chegar, onde nem sempre me será permitido entrar, onde nem sempre poderei estar… para te guardar!
Sonho, e vejo-te menina grande com sorriso de criança, vejo-te menina grande com olhar de esperança!
Sim, meu amor, sonho e imagino-te daqui a muitos anos!
Imagino a pessoa que serás, os valores que terás, os desejos que possuirás e, acima de tudo, como será o Mundo que te rodeará!

Então, meu tesouro, sonho…
Sonho com um mundo novo, um mundo onde a paz e a harmonia te darão as mãos para te acompanhar na tua caminhada pela vida…
Sonho com um mundo novo, um mundo onde a alegria a fortuna te acompanharão na tua caminhada para a felicidade…
Sonho com um mundo novo, um mundo diferente daquele que me foi dado a conhecer, um mundo onde não exista dor e onde o amor seja o seu maior opositor…
Sonho com um mundo novo, um mundo pintado com a força da tua ternura, um mundo pintado com a aguarela viva da tua fantasia!

Sonho com um mundo diferente daquele em que neste momento vivemos… um mundo onde a violência, a tristeza, o sofrimento e a crueldade das pessoas sejam substituídos pela tua doçura e inocência, um mundo onde a mágoa, as feridas e os desgostos sejam substituídos pela alegria inocente do teu olhar!

Enfim, meu amor, no silêncio por vezes tão melodioso da noite, fecho os olhos e sonho…
Sonho-te nos meus sonhos como o meu anjinho protector, sonho-te bem juntinho a mim, sonho-te feliz, sonho-te íntegra, sonho-te completa, sonho-te menina crescida em mundo de cor e fantasia…
Sonho, meu anjo, e o meu único sonho para ti é esse mundo perfeito que tantas vezes imagino nos meus sonhos… um mundo belo, harmonioso, sublime, um mundo só teu, um mundo pintado com a força do meu Amor!

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Porquê?...

“O Homem”, de Sophia de Mello Breyner Andersen…. um conto comovente e arrepiante sobre a nossa própria condição humana… um conto sobre a solidão, sobre o sofrimento, sobre o abandono, sobre a tristeza e o desespero… um conto tão diferente daqueles que te costumo contar, meu amor, tão repletos de magia, de ternura, de alegria, de cor e de fantasia!

E eu pergunto-me: Porquê?

Porque é que o Mundo não pode ser igual a esse mundo que tu crias no teu imaginário, esse mundo tão cheio de beleza e tesouros imaginários que o teu olhar inocente e meigo deixa transparecer?
Porque é que o Mundo não pode ser um lugar onde a solidariedade, a amizade, o apelo à ajuda dos outros não prevaleçam ao apelo egoísta dos nossos desejos mesquinhos?
Porque é que o Mundo não pode ser um lugar bom, uma tela pintada com as cores vivas e alegres da tua imaginação, da realidade perfeita de uma criança?

Lê-se em determinada parte do conto “(…) A certa altura encontrei-me atrás dum homem muito pobremente vestido que levava ao colo uma criança loira, uma daquelas crianças cuja beleza quase não se pode descrever. É uma beleza de uma madrugada de Verão, a beleza duma rosa, a beleza do orvalho, unida à incrível beleza duma inocência humana. Instintivamente o meu olhar parou um momento preso na cara da criança. (…)

E eu pergunto-me: Porquê?

Porque é que existem crianças com olhar triste, abandonado, sofredor?
Porque é que há crianças que são impedidas de sonhar, impedidas de brincar, impedidas de voar?
Porque é que vemos crianças abandonadas, maltratadas por culpa da indiferença, da maldade e do egoísmo das pessoas?

E eu pergunto-me novamente: Porquê?

Porque é que os seres humanos são por vezes tão egoístas, tão egocêntricos, tão alheios ao sofrimento e à dor do seu semelhante?
Porque é que não se pára uns minutos para retribuir um olhar, agradecer um sorriso?

O Mundo seria então tão mais acolhedor, tão menos frio, tão mais solidário, tão menos assustador!

Porquê? Porquê?

Porque é que algumas crianças deixaram de ser sinónimo de alegria, de vida, de sonho, de esperança para um futuro melhor?

Olho para ti, meu amor, tão feliz, tão amada, tão desejada, tão única, tão minha e pergunto-me… Porquê?

Amor puro...

Prometo-te… nunca te vou deixar! NUNCA! Voltarei sempre para o meu porto de abrigo, para o meu refúgio, para o meu paraíso, para a minha paz… TU! Amo-te muito… mais que tudo!
Se por vezes uma pessoa tenta a todo o custo definir esse sentimento tão desejado e sublime que é o Amor e não consegue porque é difícil encontrar as palavras certas para o descrever, já que é um sentimento tão completo mas tão contraditório ao mesmo tempo, eu posso dizer que hoje descobri o verdadeiro significado do Amor… daquele amor intenso e puro, único!
Quando cheguei a casa (e hoje o dia foi longo!) já quase estava na hora de nanares. Saí às seis e meia e ainda tive uma consulta médica que só me deixou chegar a casa quase às nove e meia. Sentia-me angustiada, com a saudade de ti a apertar-me o coração, com receio de chegar a casa e já estares a dormir sem que tivesse sido eu a adormecer-te! Quando saí de manhã ainda tu dormias e estava a ver que ia passar um dia inteiro sem pelo menos te poder abraçar, dar muitos beijinhos, muitos miminhos, muitas festinhas. Por isso, meu amor, imagina as saudades que eu tinha de ti… Vim a correr (quer dizer, a toda a velocidade!) para conseguir pegar em ti ao colo e poder contar-te as nossas histórias para que pudesses adormecer e sonhar com o teu mundo de fantasia, para que pudesses sentir antes de entrar no universo dos sonhos o quanto te adoro, o quanto te quero, o quão importante és para mim!


Cheguei (finalmente) e tu estavas na sala a ver o Tom Soyer. Quando abri a porta a cozinha e falei com o papá ouvi uma voz vinda da sala a gritar com um entusiasmo, uma ânsia e uma alegria nunca antes vistos Mamã, ó Mamã! MAMÃ! Anda cá! Mamã! Fui imediatamente ter contigo e vi-te a alegria no olhar, a saltar em cima do sofá, vi-te a felicidade de me ver, o desejo de me abraçar (correste para os meus braços como se já não me visses há anos! Mamã… e encostavas a tua carinha na minha) e vi-te a correr para mim para saltar para o meu colo. Peguei em ti e tu olhavas para mim com tamanha ternura que nesse instante soube o verdadeiro significado do verbo amar, do amor incondicional! Que emoção, até as lágrimas me vieram aos olhos! Saber que me amas, saber que sentias saudades minhas, saber que sentiste a minha falta fez-me sentir a mulher mais feliz do Universo.

Mas tamanha alegria por me rever fez-me pensar que também tivesses tido medo que a mamã não voltasse para te tocar, te abraçar ou te mimar e isso, meu anjo, desesperou-me! Porque é que uma mãe não pode estar a tempo inteiro com o seu bebé? Porquê?!

Meu amor, por muito que a mamã possa não poder estar sempre contigo, por muito tarde que possa chegar, por muito que a agitação egoísta do quotidiano nos possa por vezes separar, nunca te esqueças que a mamã voltará sempre para ti!

domingo, 10 de junho de 2007

Felicidade...


Cheia de uma energia inesgotável e uma alegria contagiante, assim passaste o teu dia. Não dormiste de tarde porque sabias que tinhas a festinha de anos (como tu dizias) do menino J. A ansiedade era tanta que por muito que eu e o papá tentássemos nunca conseguiríamos pôr-te a dormir. Mas, como sempre, a tua ânsia de viver cada minuto como uma novidade, cada momento como uma enorme descoberta faz-te ir buscar a energia necessária para poderes desfrutar da vida como só uma criança pode fazê-lo… sem cansaço mas sim com alegria, com risos, com um brilho no olhar, com uma enorme Felicidade!


Brincaste toda a tarde, saltaste, correste e apesar de seres tão pequenina tinhas todas as meninas da festinha atrás de ti! E tu toda contente, tantas atenções centradas só em ti, não é meu amor? Adoras estar com as pessoas, adoras ser o centro das atenções, adoras brincar com os outros meninos, de preferência se forem maiores que tu, adoras distribuir sorrisos e adoras que te mimem com carinhos e brincadeiras. Cantaste por fim os parabéns ao menino J. como uma menina crescida e se pudesses andavas toda a tarde atrás dele anda cá J. xenta aqui! Anda à J. ou então Ó mamã vai xamar o J. Mas como menino mais velho que é, as brincadeiras eram outras e nem sempre conseguias brincar com ele. Mas comandaste as meninas da festa, não é, linda?


Por vezes penso que a forma como vives a vida, a forma como brincas, a forma como te dás às pessoas são um sinal de uma futura líder… capaz de mover e comover as pessoas com esse teu jeitinho terno! Já tens uma personalidade tão forte que por vezes até fico admirada com a capacidade que já demonstras em dominar tudo e todos. Espero, meu amor, que utilizes essa capacidade de liderar e essa ternura que te é inata para vencer as barreiras e os obstáculos que a vida ainda te reserva. Espero que essa enorme alegria de viver te ajude a contornar as dificuldades e te leve a esse sentimento tão desejado por toda a gente mas que nem sempre é fácil de conquistar… a Felicidade!


À noite, depois da festinha, ainda foste à vovó, à festa, e assim continuaste (não sei como… cansada como estavas!) a encantar toda a gente com as tuas conversas, (Vóvó, a J. pota-se MUTO bem! Eu poto-me muto bem, sabes? – a vovó tinha-te dito que te estavas a portar mal), com a tua energia e com a tua simpatia! Andaste de colo em colo, principalmente no colo da prima C. Fomos ao café e como não há tempo a perder na tua ânsia de viver a cada instante como se fosse o último lá disseste mais uma vez Vóvó anda! Vamos ao café! Anda vovó! E como ela estava a demorar: Mamã vou xamar a vovó! Vóvó ANDA! Pediste um aão verde ao vovô (esperta, ele é sportinguista) mas ao papá dizes que o Poto é mais melhor e que o Poto é pião! (ao menos sabes agradar a todos, não é linda?)
Foi um dia repleto de emoções para ti, meu amor, tanta brincadeira, tantos mimos, tanta alegria!


Antes de nanar, ainda nos presenteaste com as tuas mais belas declarações de amor, com as tuas mãozinhas a fazer-nos festinhas e a dizer a mamã é inda e o papá é indo! E depois, bem agarradinha a mim, com um daqueles abraços que só tu me consegues dar, adormeceste dois minutos depois… nem foi preciso contar-te a Banca de Neve, só te falei da lua e das estrelas e do quanto elas são lindas (como tu!) e tu imediatamente fechaste os olhos.


Fiquei uns minutos a deliciar-me com a tua imagem, com o teu respirar calmo e sereno, resultado de um dia tão repleto de alegria e felicidade! És realmente, meu amor, a mais bonita história de amor que algum dia pude sonhar para mim… És a minha Branca de Neve, a minha Cinderela e, neste momento, a minha Bela Adormecida!

quinta-feira, 7 de junho de 2007

No teu olhar...

No teu olhar vejo doçura, vejo ternura, vejo carinho …
No teu olhar vejo alegria, felicidade e ânsia de querer voar…
Voar como um pássaro livre à conquista de novos horizontes,
Voar à procura de um Mundo ainda tão misterioso para o teu olhar!

No teu olhar vejo o desejo de querer crescer,
E uma vontade insaciável de aprender!
No teu olhar vejo uma criança,
Que a cada dia não pára de surpreender!

No teu olhar existe um mundo de fantasia e magia,
No teu olhar existem sonhos repletos de cor,
Pintados ao sabor da tua imaginação!

No teu olhar vejo uma criança feliz,
Que salta, pula e ri!
No teu olhar vejo a teimosia e a irreverência
Que a tua idade deixa reflectir.

Mas, acima de tudo, meu anjo,
No teu olhar eu vejo o amor que tens para nos dar!

(Amo-te mais que tudo, meu bebé. És a minha vida, a razão pela qual o Mundo tem agora um sabor especial, és o meu tesouro, és a minha beleza rara, és a minha maior conquista, o sonho perfeito! Se algum dia duvidares e por algum motivo precisares da certeza da infinitude do nosso amor, basta-te meu anjinho, veres no meu olhar!)

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Conversas de menina...

Já estás tão crescida… às vezes pareces um papagaio a querer dizer tudo o que sabes e é tão bonito ouvir-te a falar connosco como uma menina crescida com carinha de bebé!

Hoje, no nosso jantar a três, as conversas foram muito engraçadas. É impressionante como reproduzes nas tuas falas tudo o que o papá e a mamã te costumam dizer. O papá perguntou-te “J. Queres gelado?” e tu, com um grande sorriso Xim, a J. pota bem por ixo tem gelado! É bom. Xoculate! Mas depois deste não há mais! O papá vai comendo o gelado contigo e a mamã pergunta-te “J. Não dás um bocadinho à mamã?” Xim, toma! (e pões na colher um pedaço grande de gelado – querida!) A mamã agradece “Obrigada” e tu imediatamente De nada!

São conversas tão banais mas que nos enchem os ouvidos! Sentir que cada vez mais consegues comunicar connosco através de palavras é tão delicioso e gratificante ao mesmo tempo! É tão bom ver-te crescer…
Goto muto de ti papá e olhando para mim O olho da mamã é verde!! “Gostas do verde J.?” Xim, é lindo!

Tu é que és linda, meu amor! É como tu costumas dizer “A J. é inda!”

domingo, 3 de junho de 2007

Alegria...


Ontem tiveste o aniversário do teu priminho… muita brincadeira, muita birra (não nanaste o dia todo!) mas acima de tudo muita alegria! É tão bonito ver-te brincar, com toda essa alegria de viver que só uma criança pode demonstrar, é tão bonito ver como vives cada nova experiência como se fosse a última. Espero que ao longo de toda a tua vida vivas sempre de forma tão intensa mas sabes, meu amor, ainda vais ter muitas experiências novas, muitos desafios, muitos obstáculos para contornar! Espero é que continues sempre a encarar a vida como uma experiência constante e, acima de tudo, com essa enorme alegria que o teu olhar deixa transparecer!


Adoras o priminho… mesmo quando se zangam por causa de um brinquedo (É meu, A., dá à J.) adoro ver o carinho que sentes pelo teu priminho! A ele, apesar de muitas birras pelo meio, dás tudo, principalmente muitos beijinhos e muitos abraços… daqueles abraços repletos de ternura que encantam qualquer um! Se tens algo, por muito que o queiras, também o queres para o A. E isso comove-me, espero que esse carinho dure eternamente, é um sentimento tão bonito, puro e saudável que tem que ser preservado para sempre!


Ainda na sexta, quando ambos voltaram do passeio que a creche vos organizou para o Dia Mundial da Criança, estavas cheia de fome. A mamã deu-te dois iogurtinhos dos pequeninos e tu olhaste para eles e imediatamente pegaste num e foste a correr A. toma A., um iourte. Queres? Um gesto simples mas que só demonstra o cuidado e a atenção que tens pelo teu primo, mas também porque demonstra que sabes partilhar… é isso deixa-me muito feliz!
Brincaste o dia todo, divertiste-te muito, saltaste e andaste no escorrega (há bem pouco atrás tinhas medo!) que o tio ofereceu ao A. Adoraste! Quero andar, deixa A.! Xai!


No final do dia estavas estoirada, cheia de sono, mas a alegria com que passaste o dia até te fez esquecer as nódoas negras e os arranhões nas pernas que tanta brincadeira causou! Olha mamã, tem dói dói! Adormeceste bem abraçada a mim, com as tuas mãos a fazerem-me festinhas, com o teu respirar bem contra o meu rosto… e soube-me tão bem! É tão deliciosa a tua imagem!
Nana, meu amor, nana muito… recupera as energias pois o mundo está lá fora à tua espera, repleto ainda de mil e uma surpresas para ti! Descansa, meu anjo, porque ainda tens muito para brincar, para aprender, para experimentar!


Sabes, por vezes tenho medo que te possas magoar na tua ânsia de querer descobrir o que o Mundo tem para te oferecer mas o facto de te sentir feliz (e isso vejo-o pelo teu riso, pelo teu olhar, pelos teus abraços bem fortes!) faz-me sentir, a mim também uma enorme, enorme Alegria!


O Mundo está lá fora à tua espera, meu amor! Enche-o de beleza, pinta-o à tua imagem… um mundo perfeito, único, belo e, mais que tudo, puro!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Angústia...

Amanhã é o Dia Mundial da Criança… o teu dia meu amor! Eras para vir passá-lo com a mamã que vai estar na Feira do Livro mas o tempo não ajudou… Está muito incerto e como não sei se vai chover ou não, achei preferível não te levar, seria complicado estar contigo um dia inteiro ao ar livre com um tempo chuvoso. Assim, vais para a escolinha e vais passear com os meninos e com a V., a C. e a B.! Sabes, no fundo sei que é o melhor, pois sei que te vais divertir e estar com os teus amiguinhos. Afinal é o Dia da Criança e nada melhor do que estares rodeada de meninos e meninas que aos poucos têm-se tornado os teus amigos… as tuas primeiras amizades! Mas sinto-me angustiada… tenho medo que te possa acontecer alguma coisa e eu não esteja lá para te ajudar. Não é que não confie nas pessoas que tomam conta de ti, pelo contrário, acho mesmo que são excelentes profissionais, cheias de atenção e miminhos para te dar… basta ver pela maneira como sorris quando falas delas.

Mas sabes, a mamã por vezes tem muito medo… tem medo de não estar presente se precisares, tem medo de não estar presente caso chames por ela, tem medo de não estar presente se chorares ou precisares dos seus miminhos, tem medo de te faltar ou de não te dar o que precisares, sempre!

Mas sei também, meu amor, que levar-te comigo seria um pouco egoísta da minha parte. Estarias comigo, sim é verdade, mas impedir-te-ia de brincares e saltares com os teus amiguinhos… pelo menos o papá assim me fez ver! E ele tem razão, sabes. Não posso impedir-te de crescer, não posso sufocar-te com o meu amor e a minha protecção. Tenho de deixar-te voar sem mim, tenho de começar a abrir-te as portas da liberdade, tenho de me acostumar que estás a crescer e que precisas de ter os teus momentos, as tuas brincadeiras, os teus amiguinhos, a tua vida.

Mas a mamã ama-te tanto bebé! Perdoa-lhe se algum dia achares que te protegeu em demasia e não te deixou descobrir o mundo sozinha. Prometo-te que vou tentar libertar-me dos meus medos, das minhas inquietações de mamã!

Prometo-te, meu amor, que vou deixar-te crescer feliz, rodeada de alegria, e, acima de tudo, nunca vou esquecer o que neste momento tu és … uma Criança!
Mas não te esqueças nunca, princesinha, que o amor da mamã por ti é tão forte que por vezes não consigo deixar de olhar para ti sem ter medo que algo te possa acontecer sem que eu o possa evitar!