segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Mudança e lágrimas...

(foto retirada)
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És uma menina de afectos, mimosa, ternurenta, apesar da tua teimosia característica e da tua personalidade forte e, olhando nos teus olhos, sei que estás a sofrer... que este afastamento obrigatório das pessoas que te acarinharam durante três anos está a magoar-te, como se estivessem a roubar-te um pouco do teu ainda tão pequenino coraçãozinho!
E eu sofro por ti, por não te consseguir evitar as lágrimas, a mudança radical na tua personalidade que toda esta próxima situação está a provocar! Estás carente, sempre com medo que te deixemos... Nunca...
E assim, perante o teu rosto repleto de lágrimas e o teu olhar encoberto por uma profunda tristeza, eu só me pergunto como há quem ponha em causa o trabalho, o carinho e a dedicação de educadoras e auxiliares! De facto, quem vos ensina que o Mundo vai para além do abraço do papá e da mamã, que os afectos criam-se aos poucos mas muito lentamente, se nunca, se quebram?!
Por isso mesmo, pela idolatração que estas admiráveis pessoas têm da tua parte, pelo enorme contributo que deram para a tua felicidade, foi a seguinte dedicatória que lhes ofereceste no teu último dia na escola...
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«Para a V., a B., a G., a D. L.… enfim, todas as pessoas desta escolinha, sem excepção, que me viram crescer e que o meu abraço recordará para sempre com muita saudade…
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Hoje é o meu último dia nesta escolinha… não por ser o que eu deseje, mas sim porque o tempo insiste em fazer-me crescer e, assim, tenho de ir para a escolinha dos meninos ainda maiores.
Estes anos foram muito importantes para o meu crescimento…

No início, repletos de lágrimas mas, aos poucos, cheios de descobertas, desafios, sorrisos, carinhos, aventuras mas, mais que tudo, a minha passagem aqui foi um tempo que me fez descobrir que este Mundo que ainda mal conheço não se resume apenas ao Amor que os meus papás sentem por mim!

Sim, aprendi que existem mimos outros que os deles, que outros gostam de mim e me querem fazer feliz.
Aprendi a conviver, a partilhar, a brincar, a aprender e, muito mais que isso, aprendi a crescer com tudo o que esse crescimento implica… lágrimas, sorrisos, sonhos, birras mas também uma enorme alegria de viver!
Foi difícil! Diz a mamã que não consegue contar já as vezes que me deixou a chorar, rolando-lhe a ela também as lágrimas pelo rosto, só de relembrar o desespero e a tristeza no olhar quando de manhã eu lá ficava…
O tempo foi passando e comecei a compreender que esta ausência era necessária, principalmente para o meu crescimento, e que existiam outros braços que me amparariam, outros miminhos que me acalmariam, sempre que me sentisse triste ou sozinha!
A paciência, a ternura e a dedicação que todos sempre tiveram comigo foram, sem dúvida, das armas mais importantes para combater os meus medos e destruir as minhas incertezas!
Subitamente, a escola transformou-se num local repleto de sonhos e aventuras, pintado com os tons suaves da imaginação e da fantasia, preenchido pelos abraços e carinhos que no início tanto recusei!
Cresci, ai se cresci... os meus braços, as minhas pernas já sobram no abraço que me dão… no rosto de bebé de então, os traços de menina teimam em mostrar o quanto o tempo passou! Tão depressa, rápido demais…
Sou feliz, fui muito feliz aqui… e esta felicidade deve-se às pessoas que comigo percorreram este caminho nem sempre alegre!
São tantas as lembranças que o meu coração, ainda tão pequenino, já possui… é tanto e indestrutível o carinho que sinto por ti V., que me ajudaste a dar os primeiros passos fora das asas protectoras dos meus papás!
Sabes, a mamã pediu-me para te dizer que sempre que sentires que a tua paciência se esgota por entre as birras e os gritos, te lembrares que possuis o poder divino de trabalhar com crianças, tens a missão mágica de construir sorrisos e sonhos, castelos de afectos que perdurarão eternamente!

Disse-me igualmente para nunca te esqueceres que foste das principais construtoras de um Mundo mais feliz e harmonioso… ajudaste uma criança a desabrochar e a ser feliz!

Assim, como ainda é muito difícil para mim descrever o turbilhão de emoções que sinto, faço das palavras que um dia a mamã escreveu por mim à V., a homenagem a todas as pessoas que, de uma forma ou outra, me mostraram que o Mundo pode realmente ainda ser pintado com as cores suaves da ternura, pincelado com a doçura única do sorriso enternecedor de uma criança!
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Agradeço-vos,
Pelas lágrimas que me secaram;
Pelos carinhos e miminhos que me deram;
Pelas brincadeiras e jogos que fizeram;
Pelas aprendizagens e descobertas que me proporcionaram;
Por tudo… por vós… por mim…
Agradeço-vos por me terem feito feliz e me terem ajudado a crescer!
Gosto muito de vocês... »
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mudança...

(foto retirada)
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Deixa-me entrar no teu olhar para poder vislumbrar as cores do teu mundo e contigo transformá-lo num arco-íris...
Deixa-me, nem que por um segundo, mergulhar no teu olhar para assim poder combater as lágrimas que tantas vezes teimam em o entristecer...
Sim, meu amor, deixa-me penetrar no teu coraçãozinho, por um pequenino instante, para dele tirar a certeza de que continuo a ser o teu porto de abrigo, o abraço que preferes a qualquer outros, a tua paz, o teu refúgio...
Deixa-me, meu amor, por favor, deixa-me perguntar-lhe porque insiste ele em fazer-me sentir cada vez mais incapaz de te acompanhar nessa correrria louca e estonteante que é o teu crescimento...
Se não puder, princesa, se o mundo mágico onde vives, o reino onde somente entra quem a tua imaginação permitir não me deixar chegar até ati, olha-me...
Sim, princesa, olha-me, por um minuto, um segundo, um instante... olha-me e diz-me porque choras sem motivo quando imediatamente de seguida berras para todos os que te quiserem ouvir que a tua mamã é linda?
Porque teimas em desafiar-me, respondendo-me em tom de provocação se, no momento em que para os sonhos desejas viajar, é a mim que te queres enroscar? Se são os meus mimos que te fazem adormecer? Se é por mim que chamas se, por ventura, algum monstro feio decide entrar nos teus sonhos para te assutar?
Ajuda-me, meu amor, ajuda-me a limpar as lágrimas que tristemente rolam pelo meu rosto quando constato que a minha falta de paciência perante esta tua mudança drástica não nos está, em nada, a ajudar, mas sim somente a fazer-me sentir que aos poucos começas a afastar-te da menina que ainda há tão pouco tempo toda ela cabia no meu colo...
Porque será que teimas em misturar uma teimosia desconcertante, uma provocação inesperada, umas birras gigantes e incompreensíveis à tua eterna doçura? À meiguice que o teu olhar, por muito zangado que possa estar, não consegue disfarçar?
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Sim, minha flor, olha-me nos olhos, abraça-me e diz-me em que estou a errar, que caminhos tenho de tomar até chegar novamente a ti, à menina doce e irrequieta (mas não teimosa e provocadora) que sempre foste?
Se não me quiseres responder, deixa-me pelo menos, meu amor, entrar por um minuto no teu coração para poder lá encontrar a certeza de que tanto preciso para poder me acalmar, a certeza de que sou a mamã que sempre desejaste para ti e que toda esta mudança não seja um erro meu mas uma consequência do teu inevitável crescimento...
Se soubesses como dói não te entender o choro, as birras, as provocações e, ao mesmo tempo, deliciar-me com a tua ternura, a tua meiguice, o brilho do teu olhar!
Diz-me, olha-me e sussura-me que é apenas uma fase, uma fase obrigatória e dolorosa que ambas vamos conseguir ultrapassar!
Diz-me o que quiseres, o que sentires, o que desejares mas nunca te esqueças das palavras que um dia eu já te escrevi para que a memória nunca as consiga apagar.
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Imploro-te, nunca te esqueças, estejas onde estiveres, me deixes ou não até ti chegar, que independentemente do vento que possa fazer as tuas pétalas tremer, do tempo que as possa endurecer, da chuva que por um acoso leve o teu aroma para outros lugares, és e serás eternamente a flor que sempre desejei para mim...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A minha flor...

(foto retirada)
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Sempre sonhei ter uma flor... uma pequenina flor que viesse embelezar o meu Mundo, torná-lo num sítio mágico e acolhedor!
Sempre sonhei ver uma flor nascer... e, milagrosamente, no jardim do meu ventre, a mais bela flor fiz desabrochar!
Sempre pensei, no entanto, que cuidar dessa flor, tão rara e delicada fosse fácil... o meu amor por ela é tão grande que pensei que, por si só, fosse o suficiente para a transformar numa flor ainda mais bela, repleta de pétalas de alegria, de cores alegres de felicidade, de aroma a ternura e a meiguice...
A minha flor é, de facto, mais que tudo o que um dia possa ter desejado para mim... faz o Sol enfraquecer o seu calor perante o brilho do seus olhos, consegue envergonhar a lua face à beleza do seu rosto , é mesmo capaz de fazer as estrelas do céu perder o seu encanto quando, ousadas, tentam equiparar-se à luz que todo o seu ser deixa transparecer!
A minha flor tem pétalas de amores-perfeitos, tem o toque suave da seda e, se estivermos atentos quando o vento a embala, ouvimos sair dela uma melodia arrepiante... a melodia do Amor!
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Sempre pensei que o Amor desmesurado, as atenção infinitas, o carinho sem fim, os cuidados constantes, os mimos permanentes que para com ela tenho fossem obrigatoriamente capazes de impedir que a minha flor crescesse demasiado rápido para me mostrar que por muito que a tenha desejado, ela nunca será para sempre o que imaginei ou desejo que ela seja...
A minha flor continua a mais bela, a mais perfumada, a mais rara e delicada! No entanto, o meu amor já não é o suficiente para lhe impedir as lágrimas, para lhe mostrar que, apesar de todo o seu brilho e beleza inigualáveis, ela não se pode esquecer que outras flores existem no mundo e que, por isso, não podem todos os seus desejos satisfeitos...
As lágrimas teimam muitas vezes em rolar silenciosamente pelo meu rosto quando verifico que nem sempre consigo mostrar-lhe que por muito amada que seja, o Mundo existe lá fora e há regras que ela tem de cumprir, valores que gostava de lhe incutir, independentemente da tristeza que isso lhe possa provocar...
Sempre sonhei ter uma flor... e o meu desejo realizou-se! No entanto, já não acredito que cuidar de uma flor, por muito que para nós ela seja a única para a qual olhamos e que seja ela a que escolheríamos por entre milhares de outras flores, seja fácil...
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Dar à vida é fácil, o amor trata de tudo... vê-la crescer é fascinante e assutador, o tempo encarrega-se de o mostrar mas educá-la faz doer... principalmente porque verificamos que ao tentar fazê-lo estamos a mostrar-lhe que, ao contrário das suas expectactivas, o Mundo também a fará sofrer!