segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Da vida...

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Há Dias
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Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-se comigo
quero eu dizer : com o que fui quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo e dura
dura ainda.
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Eugénio de Andrade, Os lugares de Lume
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Sim, há dias, há dias assim...
Mas são muitos mais os dias
em que a alegria e a felicidade
pintam o Mundo de esperança!
Porque todos os dias, meu amor,
o teu olhar repousa em mim...
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sábado, 23 de fevereiro de 2008

Deixa-me...

E quando vejo que a minha menina, o meu bebé crescido, que tantas dificuldades teve para aceitar um desfralde diurno, me pediu, há já bastante tempo, para nanar sem fralda (que mesmo a pondo antes, nunca a utilizou já que sempre chamou por mim!) sinto um aperto no coração... sinto uma lágrima a querer rolar ao aperceber-me que o tempo está a passar rápido demais! A minha bebé (sim, porque serás sempre a minha bebé) cresce a cada dia que passa... é já uma menina, meiga e reguila, doce e irreverente, teimosa e observadora! Uma menina... a menina com que sempre sonhei... a minha menina!
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E, apesar das dificuldades dos últimos tempos, das lágrimas soltas no desespero de não quereres dormir, no cansaço provocado pelas horas tardias a que finalmente te rendes ao silêncio melodioso da noite e partes em busca de novos mundos, novos sonhos e descobertas, sinto-me cada vez mais presa a esse olhar que diariamente alarga os seus horizontes, sinto-me completamente dependente desse rosto que me ilumina os dias e a todas as horas me ensina que o Amor é de facto um sentimento arrebatador e infinito...
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Queria que o tempo parasse... sinto que este não foi ainda suficiente para te admirar, sinto que foram tão poucos ainda os abraços que te dei, sinto que me está a fugir o bebé que tanto desejei sem que me tenha ainda habituado à ideia de que sou tua mãe... Queria apertar-te contra mim, contra o meu coração, para que pudesses dele retirar a certeza que para sempre te vou amar, sem limites, incondicionalmente!
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Não sei se voltarei a ter outro amor igual, se a Vida me permitirá apaixonar-me novamente desta forma tão arrebatadora e irracional, apaixonar-me com esta força que ultrapassa todos os limites da razão, apaixonar-me de novo por pequenos gestos e sorrisos, apaixonar-me por outro ser gerado no mais íntimo de mim, no meu ventre, recanto mágico onde a vida se desenha, onde o passado se apaga para dar lugar a um presente repleto de sonhos futuros...
Não sei... e como me magoa esta incerteza! Como gostaria de saber que vou poder partilhar este Amor com mais outro pedacinho de mim!
São tantas as dúvidas, tantos os obstáculos que a Vida nos impõe e, nas lágrimas derramadas pela insegurança e constante instabilidade que se avizinha, agarro-me ao presente... ao teu presente!
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E assim, só te peço, meu amor, não cresças rápido demais... aninha-te no meu colo, deixa-me embriagar-me com a luz do teu olhar e deliciar-me com o sabor a mel do teu aroma!
Não cresças tão repentinamente...
Deixa-me admirar-te ainda, sentir-te pequenina, sentir este amor que tão avassaladoramente veio transformar a minha vida.
Deixa-me mergulhar no teu olhar para em mim poder gravar a fantasia com que o mundo gostas de encarar, deixa-me decorar-te cada detalhe ínfimo, cada palavra, cada gesto, cada ternura, cada carinho, cada momento que passo ao pé de ti...
Deixa-me, pura e simplesmente, acreditar que para sempre me vais chamar e querer abraçar a cada vez que constatares que nem sempre o caminho da vida é fácil de trilhar...
Deixa-me, princesa, saborear, hoje e sempre, a beleza e magnitude deste sentimento que a tua presença veio criar...
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Deixa-me!
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Só te peço, deixa-me certificar-me que nunca o tempo que passa de mim te vai roubar!
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Um lugar...

Há momentos na vida em que precisamos de nos isolar... e tentar em silêncio sarar as feridas que o coração insiste em guardar!
Há momentos em que dificilmente conseguimos expressar a mágoa ou a tristeza que tantas vezes nos vem perturbar!
Há momentos em que sentimos cada pedacinho de nós se despedaçar... e furiosamente tentamos agarrar as palavras soltas no ar, para as tentar remediar!
Há momentos em que simplesmente sentimos que tudo à nossa volta se está a desmoronar, nem sempre conseguimos controlar e assim torna-se difícil acreditar!
Há momentos em que os nossos refúgios certos se tornam incertos e a beleza ganha tons de desilusão... e torna-se tudo tão doloroso de constatar!
Há momentos em que pura e simplesmente temos de nos reencontrar, cada bocadinho desfeito do nosso coração temos de tentar colar, para novamente, com alegria e esperança, o futuro encarar!
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Mas são momentos... instantes passageiros... que o tempo se encarregará de apagar... não fosse a Vida uma constante dicotomia, uma inexplicável mistura de altos e baixos... que a custo tentamos ultrapassar... mas que sempre, ou quase sempre, nos tem algo para ensinar...
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Mas há um lugar... luminoso e brilhante, nesta sombra fria da vida que por vezes nos faz arrepiar, chorar e recuar, onde a calma e a paz consigo encontrar...
Esse lugar, meu amor pequenino, esse recanto mágico onde todas as minhas mágoas e incertezas eu consigo afogar, é, pura e simplesmente, o teu olhar!
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sábado, 16 de fevereiro de 2008

Nós dois...

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Nem sempre as palavras são as mais adequadas para expressarmos o que sentimos...
Nem sempre as obrigações nos permitem olhar mais vezes um para o outro...
Nem sempre o tempo nos concede alguns minutos para nos redescobrir...
Nem sempre a distância deixa atenuar as saudades que tantas vezes sinto de ti...
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Mas, meu amor, acredita!
Gostaria de ser para sempre a tua "princesa" grande...
Gostaria de para sempre guardar o teu beijo... e no teu olhar descobrir que, por muito que o tempo possa passar, seremos sempre um só... nós os dois!
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Amo-te muito! E arrepio-me sempre que ouço esta música... tão nossa!
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Quase nada
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O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.
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Eugénio de Andrade

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Brincadeiras de criança...

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Pedagogia

Brinca enquanto souberes!
Tudo o que é bom e belo
Se desaprende…
A vida compra e vende
A perdição,
Alheado e feliz,
Brinca no mundo da imaginação,
Que nenhum outro mundo contradiz!
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Brinca instintivamente
Como um bicho!
Fura os olhos do tempo,
E à volta do seu pasmo alvar
De cabra-cega tonta,
A saltar e a correr,
Desafronta
O adulto que hás-de ser!
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Miguel Torga
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Hoje sinto-me feliz... contagiada pela tua sede de aventura!
Sinto-me uma criança... de olhar de sonho e esperança!
Nunca deixes de brincar...
muito menos de me ensinar!

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Incompleta...

Há dias em que simplesmente me sinto incompleta... dias produtivos sim, mas dias em que chego ao fim do dia e sinto um vazio enorme!
Saí hoje bem cedo de casa, ainda tu dormias, não te pude vestir nem acordar com o teu sorriso! Antes de sair fui ao teu quarto, contemplei-te no teu sono profundo e acariciei-te os cabelos... como se um simples toque me preenchesse da energia necessária para começar um novo dia!
Fui dar aulas, regressei para almoçar e imediatamente a seguir ao almoço voltei às aulas até às quatro! Saí e rapidamente fui até casa da vovó para dar uma explicação até às cinco e meia! Entretanto a vovó foi-te buscar à escolinha... Enquanto ensinava o "menino grande", como tu dizes, tinha como música de fundo as tuas gargalhadas e a tua voz, que alegremente enchiam a casa da vovó (e o meu coração!) de felicidade! Terminada a explicação, só o tempo de te dar um xi e alguns beijinhos para novamente ir a correr para uma reunião de Conselho de Turma... até às oito e meia, hora a que finalmente consegui chegar a casa! Esperavas-me com o papá, tive que jantar enquanto vias o Rei Leão... Nove horas, e eu a sentir o tempo passar, sem sequer ter tido ainda o tempo de te abraçar...
Acabado o jantar, ainda fizeste os teus puzzles (sim, porque ir para a cama sem fazer as "peças" é impossível!) com o papá e a mamã!
Toca a preparar-te para ir para a cama... o tempo não parou e assim às nove e meia finalmente me deitei contigo! Finalmente te pude dar um abraço suficientemente forte para atenuar as saudades que sentia de ti, mesmo estando à tua beira naquele momento. Contei-te uma das tuas histórias, no escuro e silêncio do teu quarto de princesa, enquanto as tuas mãozinas me faziam festinhas na cara, como a garantir a minha presença, não fosse eu sair outra vez...
Adormeceste cedo, depois de te teres abraçado e aconchegado em mim vezes sem conta! E assim saí do teu quarto, deixando-te a sós com os teus sonhos, com esse pequeno mundo imaginário onde tantas vezes gostaria de mergulhar!
Dorme bem, meu amor, descansa... amanhã um novo dia te espera!
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E eu só penso, agora aqui sozinha, enquanto escrevo estas linhas... meia hora, quarenta minutos? Terá sido este o tempo que tive hoje para estar contigo? Para te mimar? para te ver crescer? Para te ver? Para ser mãe?
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Há dias em que simplesmente sinto que o tempo me está a roubar o que de mais precioso tenho...
Há dias em que sinto que todas as obrigações que nos são impostas pela Vida nos impedem de acompanhar da melhor forma o crescimento dos nossos próprios filhos...
Há dias preenchidos como hoje em que sinto um vazio tão grande que chega a doer... apesar da utilidade de tudo o que possa ter estado a fazer...
Há dias em que simplesmente me apetecia parar o tempo, destruir as horas, fazer dos poucos minutos contigo uma eternidade...
Há dias em que gostaria de não sentir as saudades que sentes de mim, de nós... a falta que sentes da nossa companhia...
Há dias em que desejaria somente ter o poder de desvendar os mistérios do mundo para unicamente tentar perceber o porquê de, nestes dias como hoje, me sentir tão incompleta!
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

No meu coração...

Sei que não serás para sempre a minha menina pequenina... Sei também que crescerás e que as tuas asas de pássaro te levarão para sítios que só o teu olhar conhecerá...
Sei igualmente que sentirei saudades, já as sinto tantas vezes agora, de te ver correr para mim e fazer do meu colo um ninho de mimos e carinhos!
Sei tudo isto... e dói... mas também sei, meu amor, que onde quer que possas estar e por mais que possas crescer... estarei sempre contigo e a tua imagem será para sempre delicadamente guardada no meu coração...
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Sinto já tantas vezes saudades de ti, meu anjo... tantas saudades do tempo que já passou e que guardou em si as imagens e os momentos únicos que já vivemos! Sinto já saudades de um tempo em que, docemente, te enroscas em mim e me pedes miminhos... de um tempo onde o meu colo ainda te abriga e te acalma!
Sei que haverá momentos em que não quererás o meu colo ou o meu abraço, que o teu Mundo vai alargar-se à medida dos teus sonhos... que vais aprender a caminhar sozinha pela Vida e que nem sempre me terás ou quererás a teu lado!
Olho tantas vezes para ti, para o teu rosto de anjo, e sinto imediatamente saudades de te ter só para mim... de te poder abraçar fortemente para te fazer sentir que o meu coração palpita por ti! Como gostaria de te poder acompanhar para sempre na caminhada, por vezes dolorosa, da Vida! Gostaria de te poder para sempre proteger e nos meus braços te adormecer...
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Se tu soubesses o quanto gostaria de te ver feliz, mesmo longe de mim, o quanto gostaria de te evitar as lágrimas que seguramente muitas vezes vais deixar rolar pelo teu rosto, o quanto gostaria de te impedir as desilusões e as frustações que obrigatoriamente vais ter que sentir, para crescer!
Se tu soubesses tudo o que faria para te poder proporcionar o céu e a lua, as estrelas e o sol... tudo o que faria para transformar o teu Mundo num Mundo onde o Amor fosse Rei e a alegria do teu olhar comandasse...
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Dar-te-ia o horizonte, para nele pintares os teus sonhos...
Segredar-te-ia os mistérios da vida, para assim nunca sofreres...
Oferecer-te-ia a minha vida, se dela necessitasses para poder viver...
Pintar-te-ia o céu com os tons suaves da tua inocência, para poderes sempre acreditar...
Proporcionar-te-ia um mundo perfeito, onde pudesses alcançar todos os teus objectivos e os teus desejos pudesses realizar...
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Faria tudo, meu amor, o possível e o impossível, para que nada te pudesse magoar, para que nada te roubasse esse brilho intenso que tens no olhar, essa alegria contagiante que te faz brilhar, essa ternura infinita que tanto me faz sonhar! Tudo, meu anjo, faria tudo...
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Mas sei também, princesa, que por muito que o meu amor por ti seja infinito, há lágrimas que não conseguirei evitar, erros que não poderei corrigir, caminhos que por ti não poderei escolher, desilusões e tristezas que não conseguirei destruir... farão parte do teu crescimento, da tua caminhada pela Vida, da luta pelos teus ideais!
Crescer é isso mesmo, meu amor... é sorrir, brincar, aprender, sonhar, lutar, sofrer, perder, alcançar, ganhar!
Crescer é uma mistura de sentimentos com os quais nem sempre é fácil lidar, mas eu sei, pequenina, que tu vais aprender a ultrapassar toda e qualquer dificuldade para no fim, triunfante, saberes devidamente apreciar cada vitória, cada sucesso, cada triunfo como mais um passo importante para a tua felicidade... só tens para isso de em ti sempre acreditar!
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Agora meu amor, só espero que nesse labirinto misterioso que é a Vida te lembres sempre que por muito longe que possa estar de ti, que por muito que queiras por vezes caminhar sozinha, a mamã estará sempre aqui, com o colo e abraço de que tanto gostas à tua espera, a qualquer e em qualquer lugar... porque podes crescer, é verdade, podes deixar de ser a minha menina pequenina, mas nunca, ouviste, nunca, eu vou deixar de te amar!
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Do carnaval... em família!

O meu coelhinho... alegre e saltitante!

Sábado à noite... festa de carnaval na tia L. Muita gente, muitas máscaras, muita alegria, muitas cores, muita fantasia, muita animação!
Eras a mais pequenina... mas não te deixaste vencer pelo cansaço e fizeste ver a muitos adultos que a Vida deve ser aproveitada ao máximo, que cada minuto deve ser vivido em plena alegria! Dançaste, encantaste...
Choramingaste por volta das dez e meia... era o sono a falar mais alto! Mas o priminho chegou... e a alegria voltou!
Abraçadinhos, qual par de namorados, o Coelhinho e o Winnie the Pooh dançaram e encantaram tudo e todos! Era ver-vos rodopiar e saltar ao som da música... era ver-vos espalhar ainda mais alegria e sorrisos nos rostos mascarados que vos admiravam!
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Por volta da meia-noite regressámos a casa e tu, qual bela adormecida, adormeceste no espaço de segundos... mas sem antes teres feito uma birra enorme, com lágrimas sentidas a rolar pelo teu rostinho já cansado mas ainda repleto de felicidade, porque querias ainda fazer puzzles! Essa tua energia é inesgotável, não é, meu amor?
Depois de adormeceres, ainda fiquei uns minutos a olhar para ti... tão serena... tanta calma no teu rosto... tanta felicidade ainda a iluminar-te!
E senti-me tão reconfortada
É bom sentir-te feliz, amada... é delicioso ver a ânsia com que desejas conquistar o Mundo e as pessoas... e a forma como o fazes... pelo teu sorriso malandro e pela enorme alegria de viver!
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Meu anjo, trocaria tudo por mais um bocadinho teu... quero poder para sempre perder-me e reencontrar-me nessa alegria que te encobre o olhar, nessa felicidade estampada no rosto, nessa ternura que te caracteriza e faz de mim a mamã mais feliz do Mundo!
Amo-te tanto...

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Do carnaval... na creche!


A minha pantera cor-de-rosa!
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Estavas feliz... o teu sorriso e a felicidade estampada no teu rosto faziam de ti a mais bonita das panteras! Nem a ameaça de chuva fez com que o dia perdesse todo o seu encanto!
O cor-de-rosa dominou... misturado com a doce inocência do vosso olhar! Para mim... o tempo parou naquele momento... deliciei-me com a tua beleza, com o brilho do teu olhar, a magia do teu sorriso...
Quando chegaste e me viste, quiseste logo vir para o meu colo... Estavas feliz, orgulhosa!

Naquele momento senti-me a mamã mais feliz do mundo... Tirámos muitas fotografias, muitas... todas em tons de rosa!
Quando o desfile acabou não querias ir novamente com os meninos para a escolinha. Quando me apercebi estavas a soluçar a pedir o miminho da mamã!
Abracei-te com toda a força do mundo, com todo o amor e orgulho por ti! Minha menina... minha bebé! Tão crescida já mas tão pequenina ao mesmo tempo!
Para te convencer a ir com os teus amiguinhos perguntámos-te se já não eras uma menina crescida, que as meninas crescidas já não choravam, ao que tu respondeste (agarrada ao meu pescoço) "Não, eu xou bebé..."!
Mas lá foste, após uma dose bem grande de beijinhos... e eu, escondida para que não me visses, espreitei-te a entrar para a carrinha, qual menina grande!
À noite, muita euforia ainda... muita alegria ainda bem presente e visível do vosso dia... cor-de-rosa!
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E como eu gostava, meu anjo, que para sempre a tua Vida fosse pintada com as tonalidades suaves e enternecedoras que fizeram deste teu dia... um dia especial!