terça-feira, 30 de outubro de 2007

O tempo...

Passa por mim, passa a correr... por vezes nem o consigo tocar! Sinto necessidade de o agarrar mas ele, mais teimoso que eu, insiste em não parar!
Olho para ti, vejo as marcas que ele vai imprimindo no teu rosto de menina... vejo-o nas palavras que agora trocamos, nas conversas deliciosas que mantemos sempre que ele nos dá essa oportunidade!
Reconheço-lhe os passos quando, sempre que te abraço, sinto o teu corpo (ainda não há muito tão pequenino e idefeso!) sobrar nos meus braços! Tudo em ti cresce, como cresces! Sei que o meu colo será sempre grande o suficiente para te guardar e mimar mas gostava tanto de conseguir ainda por vezes cobrir-te inteira com a protecção desesperada que os meus abraços te querem proporcionar!
Sinto-lhe o rasto nas tuas brincadeiras de menina, na tua vontade constante de soltar as amarras que te prendem ainda à inocência terna própria da tua idade para livremente conquistares o Mundo!
...
Sim, ele passa, egoísta e apressadamente!
...
Rouba-me tantas vezes de ti os beijos e os carinhos que te quero dar, rouba-me as brincadeiras e as descobertas que, contigo, gostaria de partilhar e descobrir!
Vais crescendo, a um ritmo alucinante e assustador para este meu olhar tão ainda dependente de ti... E assim, sinto por vezes que nem sempre tenho esse mesmo tempo para te apreciar, para te observar ou simplesmente para te abraçar!
-
Como queria que ele fosse meu... só nosso! Como gostaria de ter o poder de o aprisionar e assim o preencher de momentos teus... de ti... do teu olhar!
Mas não é possível, sei-o, infelizmente!
Este tempo que passa e tantas vezes nos derruba é de todos e, ao mesmo tempo, não é de ninguém!
-
Passa a correr... é verdade! Mas sempre que decide abrandar, é ele quem me permite de ti desfrutar... e por isso, não o posso mais censurar!
Apenas lhe posso pedir "Tempo, anda mais devagar!"

É urgente...

Para todas as pessoas a quem a tristeza, a desilusão ou ou mesmo o desencanto insistem em lhes retirar o gosto pelas palavras...
Para quem necessita de uma palavra certa e apaziguadora para lhes mostrar que somos sempre capazes de continuar... de lutar... de ser mais fortes que os próprios obstáculos que a vida tantas vezes nos impõe!
Sim, sofre-se, chora-se, muda-se mas a nossa verdadeira essência permanece! Para sempre... não fossemos nós passáros soltos com asas de sonho e ilusão...
-
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"É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luzimpura, até doer.
É urgente o amor, é urgente permanecer."
-
Eugénio de Andrade
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(e claro, meu amor pequenino, para ti também... nunca te esqueças de pautar a tua vida por este sentimento tão doce e sublime que é o Amor!)

sábado, 27 de outubro de 2007

Ser feliz...

No meio das tuas brincadeiras, tu fizeste qualquer coisa que a mamã te tinha pedido, pelo que te disse: -

- Obrigada meu amor, a mamã está muito feliz!
-

Ao que tu respondes com um grande sorriso nos lábios:
-

- Não mamã, eu é que xou muto feliz!
-
Nem imaginas, meu anjo, o que as tuas palavras significaram para mim. Sim, quero-te feliz, quero-te o sorriso rasgado e a gargalhada fácil! Quero-te os abraços ternurentos e os beijinhos sem fim...
Posso nem alcançar tudo o que sempre ambiciono, posso muitas vezes ter que lutar arduamente para que os meus sonhos se concretizem, no entanto, se há algo pelo qual trocaria toda e qualquer vitória é mesmo por ela... a tua Felicidade!
-

Por ela sim, vale a pena continuar... sempre... a lutar! Contra tudo e todos...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A teu lado...

Meu amor,

Sei que nem sempre é fácil o Amor… nem sempre é fácil compreender e aceitar as suas contradições, as suas dúvidas, os obstáculos que tantas vezes ele nos impõe! O Amor é, de facto, um sentimento contraditório… um misto estonteante de emoções maravilhosas mas também de lágrimas tantas vezes reprimidas e sufocadas!
É complicado e doloroso, por vezes, aceitar que nem sempre a pessoa que amamos pensa e age como nós, ou como gostaríamos que ela agisse ou pensasse! O Amor é um caminho misterioso, palmilhado por dois corações que, independentemente das diferenças, se unem num só palpitar!

De facto, o Amor é contraditório… complexo, indefinível! Mas também é o sentimento que nos faz sonhar e desejar partilhar a nossa alma, os nossos mais escondidos recantos, os nossos mais profundos segredos! O Amor é a descoberta constante de uma necessidade infindável de estar perto, de sentir, de tocar… ou de simplesmente olhar!

Amar-te, meu amor, nem sempre foi fácil mas é tão delicioso…
Amar-te é querer-te nos momentos em que sozinha te escrevo estas palavras para te conseguir demonstrar o que tantas vezes gestos magoados, rotinas egoístas, perdas de tempo inúteis me impedem de te dizer!
Amar-te é querer simplesmente saber que para sempre a teu lado vou poder estar… mesmo sabendo que para isso muito temos que lutar e ultrapassar!
Amar-te é desejar-te nas noites em que perdida nos meus pensamentos nos vejo num futuro próximo ainda mais unidos por esta vontade incessante de te querer tocar…

Sei que nem sempre é fácil compreender-me, que nem sempre expresso da melhor maneira os meus sentimentos mas nós sabemos, tu sabes, que basta leres o meu olhar para nele encontrar a resposta para toda e qualquer dúvida que em teu coração possa pairar!

Sim, tu conheces-me, como ninguém teve a oportunidade de me conhecer! Conheces-me o riso, as alegrias, as tristezas, as frustrações…
Ultrapassas os meus defeitos e as minhas lágrimas fáceis, ultrapassas as minhas dúvidas e as minhas incertezas… simplesmente para me amar! E como eu te amo por isso…

És o meu Amor grande, o carinho que tantas vezes rejeito mas de que tanto necessito, és a carícia certa no momento oportuno, és o vulto que constantemente surge nos meus sonhos tantas vezes ainda de menina pequenina, és o meu refúgio, o escudo que constantemente me tenta impedir de sofrer desilusões, és a palavra que nem sempre aceito mas que tem por único objectivo evitar-me a tristeza e a desilusão…

O meu Amor por ti nem sempre foi fácil, nem sempre é fácil, mas existe contos de fadas sem obstáculos para contornar?

Amo-te muito mais do que estas palavras possam algum dia significar e disso eu só quero que nunca duvides, mesmo quando as lágrimas e as palavras magoadas se instalarem entre nós e nos impedirem de fazer crescer ainda mais este sentimento que nos une e que, apesar de tudo e todos, quero a toda a força que continue a crescer a cada dia que passa… para sempre!

Sim, meu amor, foi há quatro anos que, num dia 25 de Outubro chuvoso mas repleto de encanto e magia, decidimos, com olhos marejados de lágrimas, dizer o SIM ao início desta caminhada a dois pelos caminhos misteriosos e sublimes do Amor!

Parabéns! Amo-te mais que muito… Amo-te demais! Onde estiveres ou quiseres estar, eu estarei… a teu lado! Para sempre.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Ser mãe...

Porque não conhecia, porque é lindo, porque resume tudo....

Ser mãe

Ser mãe...
Mais que dar à luz
é SER luz
na vida de alguém.
-
Luz que não se apaga, quando um dia
foge-nos a presença, causa dor
ser mãe é ser amor!
-
Ser para sempre dentro da gente
lembrança guardada com carinho
enciclopédia, ensina os caminhos
o amanhecer pintado numa tela...
com as melhores cores da aquarela
pedaço do coração, que ela nos deu
quando eu nasci, você nasceu...
-
Ser mãe é ser assim
ter tudo que se quer, para doar
doar os próprios sonhos e até mais
ser a gota do oceano do seu filho
tudo fazer, para que nunca o veja naufragar.
-
Guiar-lhe os passos
desde quando trôpegos
até quando cansados.
Abrir picadas na selva da vida
às vezes com o próprio corpo.
-
Ser mãe é bênção, dádiva, dom
feito de espinhos ou de pétalas
porque ser mãe é ser calor
no mais terrível rigor do inverno.

Tere PenhabeSantos
-
-
Meu amor, talvez um dia percebas tu também o que é ser Mãe, o quão doloroso e mágico é...
Ser tua mãe é tudo o que sempre sonhei... com os desafios e as dificuldades, com as lágrimas e os sorrisos mas, acima de tudo, com este amor indestrutível que nos une!
-
Ser tua mãe é sentir o teu coraçãozinho palpitar dentro do meu... a cada minuto que passa!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Tristeza...

Sinto-me inconsolavelmente triste... enquanto escrevo estas palavras as lágrimas escorrem-me pelo rosto, queimam e por muito que tente não consigo impedí-las de rolar!
Desculpa, meu amor, a mamã zangou-se contigo, é verdade, mas neste momento a única coisa que consigo fazer é chorar.... como posso eu dizer que quero poder evitar-te as lágrimas que o Mundo lá fora te reserva na sua caminhada, se eu própria fiz hoje com que as lágrimas rolassem pelo teu rosto...
E essa imagem não me sai da cabeça!
Há muito que o desfralde era uma vitória conquistada, a muito custo, mas finalmente ultrapassada! Depois de jantar, viste um poucos dos teus bonecos e quando te fui buscar para te ir preparar para ir cama, estavas sentada no sofá, muito quietinha... vi logo que algo se tinha passado! Quando pego em ti, vejo que estás toda suja, não um bocadinho, mas toda suja! Levei-te imediatamente para o meu quarto para te limpar e enquanto o fazia perguntava-te o porquê de não teres pedido à mamã para ir ao pote e tu nada, rias-te, e eu voltava a perguntar e a dizer que uma menina grande como tu já não precisava que a mamã estivesse sempre à beira dela a perguntar-lhe e tu... nada... puseste-te a dançar enquanto desesperadamente te despia para te ir dar um novo duche (cheia de presssa e medo porque tinhas jantado há pouco!)! Parecia que quanto mais falava e chorava (sim, porque desatei a chorar com os nervos, não da roupa suja, mas do banho que te podia fazer mal...) mais brincavas com a situação e falei-te mais alto! Tudo naquele momento parou... parece que o mundo se desabou naquele momento por cima de mim... a tua carinha deixou de sorrir e as lágrimas soltaram-se. Começaste a chorar, a soluçar e eu, desesperada a olhar para ti, desatei num pranto ainda maior! Abraçamo-nos num choro comum e o meu único pensamento era que essas lágrimas tinham sido causadas por mim... sim, por mim, a pessoa que mais te ama e quer proteger de toda e qualquer tristeza!
-
Dei-te o duche rapidamente e vesti-te o pijama... antes de adormecer só te perguntava se me desculpavas e que a mamã estava muito triste! Tu, no escuro do teu quarto respondeste afirmativamente com a cabeça e as tuas mãozinhas carinhosamente me acariciavam o rosto e limpavam as lágrimas que insistiam em rolar pela minha face! Contei-te na mesma a tua história, entre lágrimas e um tom de voz mais triste que tu própria percebeste porque te agarraste a mim como a dizer-me que já tinha passado... adormeceste.... e eu, continuei ali mais uns minutos a observar-te enquanto as lágrimas escorriam desesperadamente e me faziam sentir tão mal comigo própria!
-
Desculpa-me, meu amor, a mamã não te quer fazer chorar, só te quer ver crescer e transformares-te numa menina feliz e saudável... Sinto-me tão culpada... não suporto ver-te chorar, quero o mundo todo só para ti e, se pudesse, sem lágrimas nem tristezas...
Amo-te tanto meu bebé grande, será que me perdoas?
Um dia lerás estas palavras e verás o quão grande é o sofrimento (se calhar até exagerado por vezes!) quando não consigo impedir que nem sempre sempre a vida seja o castelo de príncipes e princesas em que vives neste momento!
-
Perdoas-me?
-
Diz-me que sim!

sábado, 20 de outubro de 2007

Sonhar...

Il était une fois
c'est comme ça qu'une histoire commence.
On a tous en mémoire
un reste au fond de soi, d'enfance.
On part pour la vie
sans la choisir vraiment

Tant qu'on rêve encore
que nos yeux s'étonnent encore
rien n'est perdu.
Tant qu'on rêve encore
que jamais personne s'endorme et ne rêve plus.
Jamais plus

On va de l'avant
dans la cours des plus grands,
faire face.
Sans défier les géants
trouver au premier rang, une place.
On remplit sa vie
parce qu'on oublie qu'elle passe

Tant qu'on rêve encore
Que nos yeux s'étonnent encore rien est perdu.
Tant qu'on rêve encore
Que jamais personne s'endorme et ne rêve plus
Jamais plus

Il était une fois...
tout commence comme ça.
On prend son histoire
la vie comme elle va
avec ses erreurs
ses manques et ses lois
Pour croire le bonheur
souvent loin de soit
Alors qu'il bat
qu'il est toujours là, en soi.

Tant qu'on rêve encore
que nos yeux s'étonnent encore rien est perdu.
Tant qu'on rêve encore
que jamais personne s'endorme et ne rêve plus

Jamais plus!

Le Roi Soleil


Porque sonhar faz-nos viver, porque sonhar vale sempre a pena!
Porque enquanto houver um sorriso de criança para iluminar o nosso dia, um beijo para aliviar a nossa dor, uma carícia para atenuar o nosso sofrimento, uma palavra para nos emocionar, um amigo para nos acarinhar e um Mundo inteiro pela frente para conquistar... tudo vale a pena!

Lembra-te sempre disso, princesa pequenina!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Lágrimas de saudade...

Hoje à noite, uma estrelinha nova brilhará mais intensamente no céu da vida...
A perda de uma mãe é certamente das dores mais profundas que podemos algum dia sentir... não consigo imaginar o vazio que neste doloroso momento se apoderou de ti, não consigo sequer imaginar a tristeza que te encobre o olhar!
-
Sei a dor, o sentimento de perda, o vazio e a saudade... conheço-lhes o sabor amargo e o rasto de solidão que nos provocam no coração! Sei a dificuldade em lidar contra a efemeridade da vida e e incapicadade de ultrapassar o poder absurdo da morte! Sei-os... conheço-os tão bem, embora ainda não a tortura e desespero de perder o ser angelical que nos deu a vida e nos acompanhou sempre por entre os caminhos por vezes tortuosos da vida...
No entanto, há que pensar que é pela dor e pelo sofrimento que renascemos mais fortes e preparados para enfrentar as dificuldades deste mundo por vezes tão cruel e insensível!
-
És forte, lutadora, corajosa... e como eu sempre te admirei por isso!
Por isso, só desejo que consigas ultrapassar a dor que neste momento te atormenta a alma!
Essa luzinha brilhante no céu acompanhar-te-á e iluminar-te-á sempre o caminho... seja qual for aquele que escolheres!
E, aqui, bem presentes e sempre que precisares, estaremos nós para te aliviar a dor e tentar secar as lágrimas de saudade que melancólica e dolorosamente possam rolar pelo teu rosto!
-
Gosto muito de ti, A.!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Adormecer-te...

Já nanas... contei-te a tua história preferida e rapidamente, após umas festinhas no meu rosto, adormeceste! Adoro, linda, sentir os teus olhinhos fecharem para entrar nesse mundo de sonhos ao qual só tu tens acesso! É tão doce sentir o teu rosto contra o meu... e num abraço profundo sentir-te a adormecer!
Desde que nasceste sempre dormiste a noite toda... No início, adormecia-te ao colo e somente depois te colocava no berço e quantas vezes não me diziam que estava a cometer um erro, que te habituarias e que seria depois difícil adormeceres sozinha... Eu não ligava, não queria ouvir que era mau poder acormecer o meu bebé, partilhar com ele esses breves instantes em que fixamente me admiravas até que a noite te levasse para o mundo dos anjos e das fadas!
Hoje sei que é verdade, que talvez devesse ter-te habituado a adormecer sozinha, mas será que ninguém percebia que quando ainda eras a minha bebé pequenina a mamã saía tão cedo de casa e chegava tão tarde que esses pequenos momentos em que nos meus braços te sentia respirar, bem enroscadinha a mim, me faziam sentir Mãe, me faziam sentir que afinal valia a pena regressar para simplesmente te poder abraçar? Afinal de contas, eras o sonho pelo qual mais tinha esperado, porquê não poder então desfrutá-lo?
Era tão pouco o tempo que nos era dado para nos deliciarmos uma da outra... era tão pouco o tempo em que te podia sentir nos meus braços e apreciar cada bocadinho teu, olhar-te vezes sem conta e fascinar-me pela tua beleza!
O tempo foi passando e o hábito de te enroscar a mim, como a proteger-te de tudo e todos, continuou... adormecer-te coñtinuava a ser o momento mais mágico do meu dia... breve instante de pura beleza em que ser do meu ser ganhava asas de pássaro e voava livremente por entre uma noite repleta de luz e sonhos, fadas e princesas! E eu queria estar ali, a assistir... a sentir-te, respirar-te, a gravar-te bem fundo na minha memória para que o teu rosto me fosse acompanhando durante todos esses dias em que o tempo, frio e insensível, te roubava de mim, nos privava uma da outra...
Foste crescendo, a um ritmo alucinante, e do berço passaste para a tua caminha de solteiro do Noddy... a minha menina crescida, tão bebé ainda!
Do colo que partilhávamos passei a deitar-me a teu lado para te contar as tuas histórias e de seguida deixar-me seduzir pelo tempo que demoravas a adormecer pois ele permitia-me absorver-te cada pedacinho de ti, do teu rosto, do teu aroma, do teu respirar... sabia-me tão bem, sabe-me tão bem! Adormeces e a mamã sai do quarto...
Mas o tempo continua egoísta! Se antes te roubava de mim e pouco era para te apreciar e ver crescer, agora ele é pouco para tudo o que tenho de fazer... ele foge-me por entre os dedos sem que o consiga prender, sem que lhe consiga pedir para ter mais calma...
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E agora... sinto tantas vezes necessidade para mim, para as minhas coisas, do meu tempo... e ele é tão pouco depois de adormecer-te!
Sim, admito que gostaria que adormecesses sozinha, após um conto de encantar, mas está a ser tão difícil... Ontem tentei... contei-te a história, dei-te um beijinho e perguntei-te se nanavas que a mamã viria já dar-te mais um beijinho e a única resposta foi um sim vindo de um rostinho a soluçar e de umas mãozinhas a acariciar a minha face como a implorar-me para ficar...
Ganhei forças e saí... será que conseguirias adormecer? Sentei-me na minha cama à escuta de qualquer ruído que me indicasse que não estarias a conseguir adormecer sozinha mas nada... o silêncio vindo do teu quarto fez-me acreditar que já terias adormecido e já estarias a sonhar com os anjos, como te havia pedido... e então fui espreitar! De mansinho entrei na escuridão acolhedora e enternecedora do teu quarto e vi logo uns braçitos estendidos para mim que me abraçaram de uma forma tão intensa que me senti completamente impotente perante a necessidade de mim que ainda demonstras ter... deitei-me novamente à tua beira e um abraço forte foi o suficiente para te acalmar o palpitar do teu coração que a tua mãozinha me obrigava a sentir... e adormeceste, dois minutos depois!
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Diz-me, meu amor, como te possso mostrar que embora não estando à tua beira estou contigo em pensamento e que não precisas de ter medo? Como posso transmitir-te segurança e soltar as amarras que ainda te fazem tão dependente de mim? Como posso dizer-te que podes adormecer pois a mamã estará sempre presente caso necessites dela ou simplesmente a queiras abraçar?
Não é que eu não queira adormecer-te linda, não, só quero ajudar-te a crescer feliz e segura, sem medos nem receios...
A mamã também precisa do seu próprio tempo, percebes meu amor? Tempo para parar, para pensar, para nada fazer ou simplesmente às vezes tempo para renascer!
Mas não duvides nunca, sempre que te tentar deixar sozinha à noite, perto da hora dos sonhos, que o mais maravilhoso momento para mim até hoje é mesmo adormecer-te...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Jorge Palma - Encosta-te a Mim

estava a ouvir... e lembrei-me de ti Amor Grande... Amo-te Muito

domingo, 14 de outubro de 2007

Luz...

A um céu estrelado escrevi, na sua despedida, "que era engraçado como laços de amizade conseguem emergir de umas simples palavras lançadas para um ecrã!"
De facto, há laços que se criam quando e onde menos se esperam...
Mas se das palavras conseguimos mostrar um pouquinho que seja de nós, dos nossos sentimentos ou dos nossos sonhos, com elas nem sempre temos o poder de aliviar a dor, a revolta ou mesmo o medo de quem, por muito que não conheçamos, nos enche e embeleza os dias com doces textos e palavras repletas de luz! Lições de vida e ensinamentos que nem sempre obtemos de quem mais próximo está de nós, porque aqui as palavras tornam-se dúbias e os significados variáveis, dependendo do nosso estado de espírito ou simplesmente da nossa vontade de ouvir!
Eu gostaria de o ter, esse poder, nem que fosse por um bocadinho...
A revolta, a dor, o sofrimento e a tristeza doem, ferem como um punhal! Estes sentimentos fazem-nos quedar perante a nossa própria insignificância e a nossa incapacidade de mudar tudo o que nos machuca e impede de sorrir...
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A distância separa as pessoas mas há algo que une as pessoas em laços ternos de amizade e carinho... as palavras proferidas ao ritmo suave dos nossos sentimentos e que nunca sairão da nossa mente!
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A ti, pequena estrela cintilante, espero voltar a ler-te um dia, sem dor, nem sofrimento, nem tristeza! Encontrar-te ainda mais forte com as lições que esses sentimentos nos dão a cada dia que passa...
As tuas palavras ficarão gravadas no silêncio enternecedor da noite, desta noite com um céu repleto de luz e de estrelas!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Desculpa...

Estou doentinha, com febre e, sem saber bem ao certo porquê, com uma vontade incontrolável de chorar...
E quanto mais as tento aprisionar no meu olhar, mais elas insistem em rolar! Não as consigo, nem neste momento quero, controlar! Preciso... faz-me falta!
Talvez um dia te possa explicar que as mamãs também choram, também ficam tristes e têm dói-dóis e que nem sempre os conseguem disfarçar!
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Desculpa, bebé linda, a falta de paciência, tu não tens culpa! Só que por vezes as mágoas insistem em reaparecer e acredita, meu amor, faz doer! Muito... Só quero o teu miminho!
-
-
Desculpa! Amo-te mais que tudo...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Saudades...

Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


Florbela Espanca


Aqui, sozinha e perdida na imensidão da noite, olho as estrelas... e sinto a tua falta, meu Amor grande!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Há dias...


Após três dias de ti, não me apetecia voltar à rotina! Apetecia-me sim parar o tempo... desfrutar o mais possível cada momento nosso, aproveitar ainda mais toda a magia e encanto que o teu crescimento me proporciona!
Foram três dias repletos de mimos, brincadeiras, passeios, amigos e, no final, uma grande vitória... o sucesso definitivo (penso eu!) do teu desfralde... Já és gande e por isso não há desafio que te assuste não é, meu amor?
É bonito ver-te cada vez mais menina, a querer imitar tudo o que os gandes fazem, mesmo nas tuas conversas sais-te com expressões que nos põem um sorriso nos lábios. É amoroso ver-te cada vez mais crescida ainda numa mistura de ternura e encanto próprios de um bebé.
Os ataques de mimo, quase a implorar "Queo miminho", a vozinha a querer imitar os bebés pequeninos, os abraços apertados, os beijinhos ternurentos... tudo em ti é doce e me faz desejar guardar-te assim durante ainda muito tempo... pura!

-
Sabes linda, é engraçado mas quando te vejo a querer ser os bebés que vês na escolinha ou os que vês quando saimos, sinto que tu própria desejavas que o tempo passasse mais devagar para te manter ainda muito tempo neste mundo de contos de fadas que é a realidade que te rodeia!
E, meu amor, espero que assim seja por muito tempo ainda... pelo menos enquanto assim o desejares! A mamã, pelo menos disso podes ter a certeza, estará sempre aqui para te sentir como o bebé que ela guarda carinhosamente nas suas memórias e no seu coração!
-
Durante estes três dias passeaste, fomos jantar à L. e ao P., as tuas paixões, e assim brincaste com a I., a tua amiguinha preferida.
Viste a madrinha que nem sempre está cá mas por quem sentes um carinho muito especial! Ainda por cima, para grande alegria tua, trouxe-te um miminho, uma malinha com tudo o necessário para seres uma verdadeira menina, mais vaidosa ainda do que já és! Era ver-te pintar as unhas (bem, e um pouco dos deditos também!) e abanar imediatamente as mãozitas para o verniz secar, pôr baton nos lábios, pintar os olhos... uma delícia! Uma menina gande!
No domingo recebeste a visita do F., da L. e do J.! Maravilha... o J., o menino de olhos azuis marotos com o qual tanto deliras! Era ver-te a andar atrás dele, a querer fazer tudo o que ele fazia, mas quatro anos de deiferença é muito na tua idade, princesa, e as brincadeiras não são as mesmas... Mas não faz mal, não é? O que interessa são os laços de ternura e amizade que vais criando com as pessoas e isso deixa-me muito feliz! És uma menina alegre, meiga, sociável, com um coraçãozinho enorme pronto a receber os amigos que a vida te reserva!

Guarda-os, preserva-os como se de um tesouro se tratasse... Por vezes são os amigos que nos fazem sentir tão especiais, por vezes esses laços são muito mais sólidos do que podemos imaginar!
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Foram três dias nossos, três dias de ti, de mim e do papá... momentos juntos em que tudo lá fora perdia o sentido perante o Amor que nos une! Tinhas saudades do papá e ver-vos os beijinhos e os abraços ultrapassa todos os sacrifícios que a distância agora insiste em nos fazer passar...
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Hoje... hoje a mamã sente-se triste! Nem sabe porquê! Há dias assim...
Dias em que nada me apetece fazer e mesmo escrever é feito por ser o meio que a mamã mais utiliza para expressar os seus sentimentos, as suas dúvidas, as suas incertezas mas também as suas alegrias... como estes três dias!
Há dias assim, como hoje, em que sinto perdida e sem rumo, em que sinto triste mesmo não sabendo bem a razão... mas depois adormeço-te, fico um bocadinho a observar-te, a sentir o teu aroma de menina doce, a acariciar o teu cabelo e tudo parece acalmar! A tua serenidade e a tua beleza enchem-me o coração!
--
Eu sei, pelo menos já devia saber, que há dias assim... mais tristonhos! Mas eu não gosto... por mim, por ti!




quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Poema...


A bailarina

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças
e também quer dormir como as outras crianças.


Cecília Meireles


Será, minha menina pequenina, que nos passos mágicos das tuas danças sem fim, agora tantas vezes partilhadas nos nossos momentos sozinhas, existirá igualmente um desejo secreto de ser bailarina?

Que o futuro te permita ser o que mais desejas, independentemente de tudo e todos! Só te peço, fofinha, não percas nunca esse brilho no olhar, esse desejo de aprender e essa ternura que te inunda o ser... são estes pedacinhos de ti que me mostram a menina feliz que és e que tanto ainda me fazem ainda sonhar...!