quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Abraçar o meu Mundo...

Hoje para ti e só consigo pensar em como é possível teres crescido tanto. Ainda há pouco tempo eras um bebé pequenino, doce e ternurento! A minha bebé...
Agora, olho para ti e vejo diante dos meus olhos a imagem da princesa com que sempre sonhei, de quem sempre desejei ser a mamã! Estás tão linda... não posso negar que fico embevecida quando admiro o teu rosto e me apercebo da perfeição dos teus traços!
Sinto-me tão impotente perante a doçura que deixas transparecer, toda tu és meiguice, apesar das asas terem ganho tamanho e quererem cada vez mais voar sozinhas. Tento que o medo de que algo de mau te aconteça não me invada o coração e impeça, dessa forma, de te deixar crescer livre, de te deixar conquistar o Mundo, que tu consideras tão belo, segundo as tuas próprias palavras!
Ainda te consigo aninhar no meu colo, apesar de já sobrarem tanto braço e perna, ainda consigo sentir-me o teu porto de abrigo mas, de vez em quando, dá-me uma súbita vontade de fazer parar o tempo e manter-te juntinha a mim, menina dos meus sonhos, ainda tão dependente dos meus afectos!
Mas sabes, meu amor? Tenho tantas saudades de ti pequenina, tenho tantas saudades de ti bebé!
Olho para esta imagem, mergulho nas que o meu coração guarda religiosamente dentro de si e sinto uma saudade imensa... uma saudade enorme de voltar a ver a Vida nascer de dentro de mim, de voltar a amar cada pedacinho de um ser desconhecido que de nós nasceu, de apaixonar-ne de novo como nunca pensei ser possível, de sentir outra vez este Amor desmesurado e infinito, este turbilhão alucinante de emoções que é ser Mãe!
Quero sentir de novo que do meu ventre o Mundo pode tornar-se mais belo se desse mesmo ventre é o meu Mundo que nasce com um choro de alegria e emoção!
Sim, minha princesa, és e serás sempre o meu primeiro amor, o mar desconhecido que decidi percorrer e que o céu me proporcionou! Disso podes ter sempre a certeza... foi contigo que aprendi a Amar, foste tu quem me ensinou que podemos ter o Mundo nos nossos braços, num simples abraço teu!
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Será que ainda vou poder sentir que o milagre da vida pode nascer de mim? Será que do meu ventre poderá nascer ainda quem me ensinará a encarar ainda de forma mais bela o meu Mundo?
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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lágrimas do Mundo...

Olho à minha volta e só consigo ver as lágrimas que tristemente rolam pelos rostos desvastados pela dor e pelo sofrimento... Pelos rostos desesperados de quem se vê, repentimente, rodeado de uma paisagem digna de um filme de terror, retirada certamente de qualquer poesia mórbida!
O Mundo, escondido e assustado, contorce-se de mágoa... por momentos gostaria de desaparecer, fugir da tristeza e da desilusão que sente perante os destroços de si que cada vez mais o deixam debilitado e sem forças para continuar!
Esconde-se e chora... como pode a Vida Humana ter chegado a este incompreensível estado de destruição? Como podem os sorrisos e as alegrias que outrora provocara terem sido esmagados por tal onda de desastres e tragédias?
Incrédulo, o Mundo chora baixinho... sem que ninguém o veja! Sabe que o culpam mas não sabem é que as suas lágrimas escondem as saudades da sua infância repleta de sonhos e ilusões...
Desesperadamente, tenta-se agarrar às suas lembranças, aos seus tempos primórdios, quando, ainda inseguro e frágil, dava os seus primeiros passos para aquela linha ténue que ele via ao longe no firmamento e que ele, ingenuamente, julgava ser a Eternidade!
Ele sabe, sim, ele tem consciência de que tudo tentou para que os Homens que em si e consigo decidiram viver tudo possuiam para ser crianças livres, abraçadas com carícias de um Amor único e infinito... o seu!
Tudo deu para que a Felicidade e a Paz invadissem os seus corações e lhes permitissem sentir-se privilegiados por possuir um lar tão belo e mágico, com paisagens directamente retiradas de um conto de encantar... um céu repleto de estrelas para contemplar, oceanos e oceanos de luz onde milhares de sonhos poderiam desenhar, uma Natureza rica e bondosa, montanhas, campos, flores...
Ele sabe que muito mais não durará a sua beleza! No meu profundo de si, desejava poder voltar ao ventre materno, mar imenso de afectos e perfeição, e assim poder renascer... Talvez assim pudesse mudar os sentimentos e as vontades humanas, talvez assim lhes conseguisse mostrar que destruí-lo é destruir-se, é derrubar o seu próprio lar, é ferir o que nunca mais poderá ser sarado! Sim, se renascesse, poderia ele mostrar novamente o seu dom sem que, dessa vez, os homens o ignorassem e insistissem em fazer dele um lugar tão feio e assustador...
Mas os sonhos não passam mesmo disso, de meras ilusões que se criam para poder manter a fé de que um dia tudo poderá voltar a ser o que já foi e essa ilusão, o Mundo conhece-a, já bebeu demasiadas vezes do seu veneno...
Por isso, o Mundo chora baixinho, espectador aterrorizado com o seu próprio fim... as suas lágrimas queimam e mostram uma tristeza sem fim, porque ele sabe que nunca mais poderá voltar a ser o que era, nunca mais o seu poder conseguirá fazê-lo levantar por entre tantos destroços...
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Eu, sozinha com estas imagens à minha frente, choro baixinho em silêncio, como o Mundo, indignada e assustada com o seu Futuro!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Princesa...

(foto retirada)
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Hoje é dia de festa na escolinha... desfile de Carnaval, lanchinho para "partilhar", como tu dizes, ou seja, um dia em grande...
Foste de princesa, não te vi. Saí de casa ainda nanavas! Logo, desforro-me... Mas também não é preciso esperar por este dia para te ver disfarçada de princesa!
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Afinal de contas, és uma princesa todos os dias, não és?
A mais bonita e ternurenta princesa do mundo... :)
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Momentos...

Há momentos que eu não trocaria por nenhuma riqueza deste mundo... como a sensação de paz e bem-estar que me invade quando as tuas mãozinhas acariciam o meu rosto ou, quando o dia ainda mal acabou de acordar do seu sono, sinto os teus braços envolverem-me num abraço repleto de ternura...

Nesses momentos, apenas consigo sentir o milagre da tua existência, admirar a beleza e perfeição do teu rosto, decorá-lo ao mais ínfimo pormenor, "embriagar-me" com o teu aroma de menina e constatar que a Felicidade está escondida por detrás do brilho do teu olhar!

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Alegria e tristeza...

Ontem, foste com os amiguinhos da escola até ao Porto ver uma peça de teatro!
Estavas ansiosa, há dias que me perguntavas quando chegava finalmente a quarta-feira!
Claro que gostaste da experiência e eu, apesar do receio que inevitavelmente sinto sempre que fazem estas viagens (afinal de contas são mais de 120 Km, ida e volta), sinto-me feliz por te poder proporcionar estes momentos de lazer e cultura, fico satisfeita por ver que desde pequeninos se tenta incutir em vós o gosto pela arte, nas suas diversas formas...
À noite, pouco estiveste comigo e, deste modo, não te ouvi recontar-me a história! A mamã tinha de sair pouco depois de chegares!
No último mês, tens reagido relativamente bem a estas ausências forçadas da mamã por motivos profissionais mas ontem, não sei se do cansaço, se do acumular das saudades, desataste a chorar a dizer que não querias que eu saísse!
E é nestas alturas que me sinto pequenina, incapaz de lidar com o turbilhão de sentimentos que se geram em mim...
Como posso eu causar-te tanta alegria e tristeza ao mesmo tempo? Perdoar-me-ás um dia?
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Quando regressei, ainda estavas acordada à minha espera... enroscámo-nos uma na outra e depois de cinco minutos de pura ternura e beijinhos sem fim, adormeceste nos meus braços... o meu anjo, a minha benção, o meu milagre! Eu, sorrateiramente saí da cama e sufoquei as lágrimas que tentavam escapar...
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