quinta-feira, 26 de junho de 2008

Birras...

(foto retirada)
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Detesto birras... não suporto quando te nego algo e choras como se o mundo acabasse naquele momento, como se a tua felicidade dependesse por completo do objecto desejado. Muitas vezes até se trata de algo banal, como um ovo de chocolate, como esta tarde.
Depois de te ter ido buscar à escolinha, levei-te, a ti e ao primo, a brincar num parque de insufláveis e outros divertimentos... adoras lá ir e eu adoro ver-te sorrir, saltar, brincar...´
À saída, embirraste que querias um ovo de chocolate, disse-te que não... desataste num pranto que só visto. Mil vezes não, mil lágrimas mais! Saíste a chorar, sentei-te na cadeirinha a chorar, enfim...
Meu amor, não é pelo ovo em si (ainda por cima ontem tinhas comido um!), mas tens que perceber que nem sempre as tuas vontades podem ser satisfeitas, que nem sempre as tuas birras vencem, que nem sempre a vida nos proporciona tudo o que desejamos.
Sim, meu amor, infelizmente ao longo do tempo temos que saber aceitar que nem sempre podemos ter tudo o que ambicionamos, que o nosso percurso está repleto de «nãos», que devemos aceitar e contornar, que nos ajudam e ajudar-te-ão a crescer e dar valor a tudo o que vamos conquistando com sacrifício e luta.
É óbvio que sofro por te ver chorar mas tens que saber aceitar que a mamã nem sempre te pode fazer as vontades, que o Mundo nem sempre gira à tua volta, que os teus caprichos nem sempre vencem...
No entanto, enerva-me ainda mais quando outras pessoas me olham como se fosse a pior mãe do Mundo, como se mostrar-te que basta pedires que a mamã te satisfaz a vontade seria a única e razoável solução para assim fazer secar as tuas lágrimas!
Não meu amor, não é assim... posso chorar igualmente por dentro por te recusar algo quando a minha vontade é oferecer-te o Mundo, posso chorar por ver as lágrimas rolar quando o meu desejo é poder evitar-te qualquer dor ou sofrimento mas penso que dizer-te "Não" ou nem sempre te fazer as vontades não faz de mim uma má mãe, não diminui certamente o Amor que sinto por ti!
E sei que sentes o mesmo... após algum tempo, já me agarravas o pescoço para mimos sem fim e beijinhos ternurentos!
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É difícil educar, é difícil ensinar-te a viver e a crescer... será realmente que para ti sou de facto a mãe que desejavas?

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Conversas...

Ontem, antes de nanar:
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- Amanhã, não queo ir à escola!
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- Porquê?

- Queo ir à praia faxer castelos de areia! :)
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- Mas linda, amanhã não pode ser! A mamã tem de ir trabalhar...
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- Mas eu não queo que tu vais trabalhar! (lágrima no canto do olho e beicinho!)
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- Tenho de ir meu amor. A mamã tem de trabalhar para ganhar moedinhas para te comprar comidinha e brinquedos!
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- Mas eu não queo que tu vais trabalhar! (a choramingar...) Deixa lá, eu compo-te as moedinhas, tá bem?
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:))
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Quem me dera, meu amor, viver a vida ao sabor da tua doce inocência! Acredita que sim, que trocaria tudo para poder ir fazer castelos de areia contigo...
Se tu soubesses como a tua visão do mundo me enternece!
Realmente de que vale o dinheiro (ou a necessidade de querer sempre mais e mais) se o que verdadeiramente nos faz feliz são os momentos de ternura e afecto?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Rescaldo...

E as duas primeiras noites como "menina gande" nem correram muito mal. Pelo menos correram muito melhor do que eu estava à espera! Muito irrequieta e agitada (pouco faltava para a tua cama parecer um espectáculo circense!), de lágrima fácil e beicinho, assim passaste a primeira noite! Muitas vezes tive de perguntar se realmente já eras uma menina crescida porque se assim fosse nanarias... A tua cabecita a acenar sempre que sim contrastava com os teus movimentos... mexias-te, viravas-te e voltavas a virar! Pensei que se calhar não irias conseguir mas após uma hora e meia lá te deixaste vencer pelo sono! Dez e meia e tu entravas no mundo mágico dos sonhos!
Ontem, a história repetiu-se... mas desta vez sem beicinho nem lágrima, apenas a agitação permaneceu! Novamente às dez e meia adormeceste...
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Mais uma conquista minha boneca! Sinto-me orgulhosa de ti... Espero que a tua determinação te acompanhe em todas as tuas decisões ao longo da vida! Para te mostrar que nem sempre é fácil atingir os nossos objectivos, para te fazer ver que devemos levar as nossas decisões até ao fim, para te mostrar que por vezes vencer significa também sofrer não recuei e não te dei novamente a chupeta!
Quero que te orgulhes sempre das tuas decisões, independentemente dos seus resultados... Quero que entendas que crescer é mesmo assim... uma constante dicotomia de sentimentos... para alcançar a felicidade o sofrimento por vezes aparece!
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Mas lembra-te sempre de uma coisa, meu amor, tudo tem mais sabor quando alcançado com sacrifício...

terça-feira, 17 de junho de 2008

A crescer...

A tua recente necessidade de afirmar que já és "gande", uma "pincesa gande e bonitinha" enternece-me ao mesmo tempo que as lágrimas espreitam, desejosas de rolar para tentar atenuar a saudade que já sinto de ti... do meu bebé, desse pequenino ser que me ensinou a fórmula mágica do Amor, que me tocou pela primeira vez com a sua ternura angelical para me fazer sentir que a Vida realmente só faz sentido vivida de forma apaixonada...
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Ontem, ao regressar a casa, disseste-me novamente que já eras grande, que querias ser "pofessora" para ensinar os meninos :)... uma conversa simples, meras palavras proferidas ao sabor da tua inocência mas palavras que de repente me fizeram acordar para uma realidade que tantas vezes tento abafar e contornar... para a realidade cruel do tempo, que insiste em querer levar-te para um novo mundo, mundo este onde nem sempre poderei estar a teu lado, onde nem sempre me quererás, onde nem sempre é fácil viver, onde nem sempre os meus mimos serão suficientes para te aliviar a dor ou evitar o sofrimento!
Repentinamente vejo-te a crescer diante dos meus olhos, dividida entre o desejo te prender para eternamente nos meus braços para te gravar o sorriso traquinas, o olhar doce e meigo, o rosto ainda tão bebé mas extraordinariamente belo, o teu riso contagiante, as tuas gargalhadas... a minha menina pequenina... e a necessidade de te ajudar a ganhar asas para livremente poderes voar ao encontro desses novos horizontes que aos poucos o teu doce olhar começa a avistar...
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À noite, antes de ir para a cama, disseste-me que hoje deitarias a tua chupeta fora (que só usavas para nanar!)... disseste-o de forma decidida e melancólica! Perguntei-te se realmente era isso que querias fazer, ao que me respondeste que a ias levar à V. para a dar aos meninos pequeninos do bercário... disse-te que sim, era uma boa ideia e tu, sempre com o único objecto que ainda te prendia ao universo mágico de um bebé:
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- Xim, amanhã xou gande! Vou dar a pupa à V. e vou dar aos meninos do beçário!
- Está bem linda! Então amanhã quando fores para a escolinha, dás a chupeta à V.? Quem é a professora dos meninos do bercário?
- É a V. Vou com a V. levar o pupa à V! Amanhã... ( e agarraste-te a ela, como a sorver os últimos momentos em sua companhia...)
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Hoje ao almoço, o papá contou-me que quando lá chegaste, disseste logo à tua educadora que já eras grande e que ias dar a chupeta, que já não a querias mais para nanar! Contou-me a tua felicidade e orgulho na voz e descreveu-me a tua corrida até ao bercário para a dar...
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Não escondo que me sinto um pouco triste, melancólica, as lágrimas envergonhadamente rolam pelo meu rosto enquanto escrevo estas palavras... o único laço que ainda te prendia à bebé que já foste desfaz-se hoje!
E como queria que o tempo parasse...
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(vamos ver como corre daqui a pouco a primeira noite da minha menina grande...)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Do fim-de-semana (meio) prolongado...

A tua energia surpreende-me a cada dia que passa... a alegria com que vives cada instante contagia-me... a tua incessante vontade de conquistar o Mundo enternece-me!
Foram dias muito agitados, repletos de brincadeiras, de sorrisos, de gargalhadas, de muito sono e consequentemente de algumas birras e, infelizmente, agitados por um grande susto...
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Sábado o priminho A. fez quatro aninhos... o teu priminho, a tua paixão mais assolapada, a tua companhia, o ser a quem dás os mais ternos e deliciosos abraços, a quem roubas beijinhos, a quem tentas imitar a todo o custo nas brincadeiras por vezes um pouco perigosas mas também com quem te zangas muitas vezes, embora a reconciliação seja imediata...
O teu primo, esse "menino especial" que preenche a tua vida da mais pura ternura, do mais afectuoso carinho e que te ensina o quão bela pode ser uma Amizade!
Um dia contar-te-ei a sua história, explicar-te-ei as lágrimas e birras que tantas vezes tu não consegues perceber, mostrar-te-ei que o olhar dele, por vezes tão vago e distante, não significa que não te adore também, simplesmente é um olhar que repousa num Mundo bem diferente do teu, só dele, onde nem sempre a tua constante tagarelice é facilmente aceite nesse mundo em que por vezes o silêncio é a sua melhor companhia! Explicar-te-ei o porquê de tanta atenção e preocupação com o teu priminho, tentarei que percebas que é normal nem sempre preferires as mesmas brincadeiras... ler, contar, decorar ou memorizar tudo ao pormenor, que o teu primo faz na perfeição, são actividades que com o tempo saberás igualmente fazer!
Neste momento és apenas uma menina, que interage com o Mundo que a rodeia, que lhe retira a beleza com o olhar, que vive intensamente cada pedacinho dele! Que daqui a algum tempo a tua paixão por ele, o vosso carinho o ajude a viver mellhor neste Mundo que ele não compreende, embora a sua felicidade seja contagiante!
O aniversário correu bem, muita correria, muitos saltos, inclusive na piscina onde os dois brincaram até se cansar...
De repente, no meio de toda a confusão, ouço um estrondo... gritei, parece que tinha adivinhado, caíste nas escadas... Naquele momento parece que congelei... toda eu tremia... corri até ao teu choro... tinha medo, tanto medo... estavas sentada num dos degraus daquelas escadas assustadoras... não te magoaste... choravas talvez pelo susto... não sei como não me apercebi que desceste as escadas... peguei em ti e abracei-te com toda a força... as lágrimas rolavam pelo meu rosto, estava assustada, talvez mais que tu... só me vinha à cabeça a imagem das escadas... não sei como caíste... estavas sentada... mas o medo de que algo pudesse ter acontecido impediu-me de dormir essa noite... ainda agora me arrepio só de pensar que podias ter caído de frente e que aí o resultado seria irremediável... arrepio-me e choro só de pensar que não pude evitar... sinto-me culpada, devia ter visto... Para além do medo que senti dói-me constatar que nem sempre nos será possível evitar-te os perigos, ajudar-te nas quedas, minimizar a tua dor, impedir o teu sofrimento!
Já passou, um anjo certamente te protegeu... tenho que acreditar nisso... foi tão grande o meu medo, tão assustador...
À noite, ainda fomos jantar a casa da I. pequenina... mais brincadeira mas aqui muita birra também! O sono que tentavas a todo o custo combater (tinhas acordado às 7h30 e não dormiste todo o dia!) falava mais alto!
Quando finalmente chegamos a casa, nem ainda a Branca de Neve tinha chegado a casa dos 7 anõezinhos já tu embarcavas no mundo dos sonhos!
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Domingo outro dia repleto de aventura... a que mais te delicia... um dia inteiro com a I. grande na piscina... alegria contagiante que durou até à hora de nanar! Aqui demorou mais um bocado a deixares-te levar pelos sonhos! Para ti, quinze minutos de descanso (adormeceste à vinda!) são revigorantes :) e fizeram com que só adormecesses por volta da meia noite!
Levantar-te na segunda para ires para a escolinha não foi fácil... a mamã tinha aulas, não podia estar contigo... e como eu queria responder-te "Onde quiseres..." à tua pergunta mal abriste os olhitos e me viste "Onde vamos hoje?"...
Foste para a escolinha, vieste radiante embora a explicar-me que a bandeira de "Potugal" é vermelha, verde e amarela...
Foi fácil adormecer-te... o cansaço acumulado ajudou... a meio da noite mais um susto... a tosse que te acompanha há uns dias fez-te vomitar... ficaste logo bem mas vieste para a nossa cama e adormeceres foi quase impossível!
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Terça-feira mais folia... festinha de anos do teu menino grande, o J. Adoraste, se bem que não percebias porque é que o J. andava a correr com outros meninos e meninas de um lado para o outro e não se dedicava especialmente a ti... meu amor, 9 anos é uma idade diferente da tua, com brincadeiras bem distintas... Lá chegarás igualmente, feliz ou infelizmente... sinto-me melancólica ao constatar que cada vez mais depressas ganhas asas para voar sem a minha ajuda, que lentamente deixas de ser a minha bebé...
Claro que após tanta agitação, tanto cansaço acumulado, tanta felicidade, tanto brilho no olhar, às 8h30, feito inédito, já tu dormias...
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Como te adoro ver a felicidade estampada nesse rosto angélico...
Como cada vez mais medo tenho de nem sempre estar presente para qualquer perigo poder evitar...

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Porquê?

Banhoca tomada, terminado o jantar, enrosca-te no pai, ainda sentado à mesa, a dar-lhe miminhos... maneira carinhosa (e quase sempre infalível) que encontras para te desculpar as asneiras! Sim, porque deves ter "bixinhos capinteiros", como tu próprias já dizes, após mil chamadas de atenção para te portares bem e parares quieta à hora do jantar!
Miminhos e festinhas, lá vem o pedido ao pai:
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- Queo ver o Sol piquinino (o nosso pastor-alemão)
- Agora não Joana! Depois brincas com ele...
- Po(r)quê?
- Porque tomaste banhinho...
- Po(r)quê?
- Porque a mamã quer-te limpinha... :)
- Mas eu queo ver o Sol...
- Amanhã, agora o Sol está sujo...
- Po(r)quê?
- Esteve na terra...
- Po(r)quê?
- Pergunta à mamã, ela diz-te!
- Po(r)quê?
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(e sai disparada para a sala ver a Dora! Ora bem, lá pensou que a mamã inventaria mais umas quantas desculpas... :) Assim sendo, não valia mesmo a pena continuar!)
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Entrámos definitivamente na fase dos porquês!
Espero, meu amor, conseguir sempre, em toda e qualquer circunstância, dissipar as tuas dúvidas, responder às tuas perguntas... Não sei se isso será possível, mas farei sempre o que estiver ao meu alcance!
Pelo menos de uma coisa tenho a certeza, tentarei sempre tornar a tua caminhada na Vida mais suave, menos problemática!
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Mas a mamã também gosta de brincar aos porquês contigo...
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Preparada para ir para a cama, abraçada ao meu pescoço:
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- Eu gosto muito da minha mãe!
- E eu gosto muito da minha princesa Joana...
- Mas eu gosto muito da minha mãe! (já a sorrir!)
- Porquê?
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Dás-me dois beijinhos repletos de ternura, um valente xi e... terminada a conversa!
Assim não vale meu amor! :)
Nana bem...

Sol...

E hoje, com este maravilhoso dia de sol, apetecia-me pegar em ti, em nós e viajar... até onde a nossa vontade nos levasse, até onde o céu se confundisse com o mar...
Mas como a realidade sonhada nem sempre corresponde à realidade vivida, resta-me ficar aqui a ouvir o chilrear melodioso dos passarinhos que lá fora no jardim me anunciam finalmente a chegada do calor!
Quanto à viagem, essa, um dia a faremos, juntos, livres para palmilhar alegremente o caminho por vezes tortuoso da felicidade!
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Por enquanto basta-me mergulhar no misterioso e mágico universo do teu olhar para na mais bela viagem poder entrar!

domingo, 1 de junho de 2008

De um amor por uma criança...

Acredi em ti, meu amor...
No brilho do teu olhar, na doçura do teu sorriso, na inocência dos teus sonhos, na pureza do teu abraço...
Na beleza do teu tosto, na tua felicidade!

E como gostava também de acreditar que todas as crianças fossem como tu amadas, de forma pura e avassaladora... que um dia elas percebessem que nos seus sonhos o futuro pode desenhar-se!
Que nas suas mãos o Mundo pode mudar...
Mas, mais que tudo, que o Homem, esse, um dia, o devido valor lhes saiba dar!