terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cansaço...

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Não
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Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
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Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
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Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
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Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
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(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
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Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
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Sim, é cansaço que sinto... um cansaço absurdo que me invade e me faz desejar desejar fugir para onde pudesse despir a minha alma de todos os fantasmas que a atormentam, onde pudesse gritar as injustiças às quais tenho de assistir, onde pudesse simplesmente ser eu própria e recuperar o brilho no olhar!
Sim , é cansaço que sinto... um enorme cansaço que, física e emocionalmente, me fragiliza e transforma-me numa pessoa que não quero nem sequer imaginar ser... alguém triste, com as lágrimas sempre prestes a rolar, incapaz de acreditar que o Mundo e as pessoas ainda valem a pena!
Sim, é um cansaço infinito... que me fere, que dói, porque simplesmente me impede de parar e ter a energia suficiente para te acompanhar, para brincar, para olhar simplesmente para ti e ver o quão bonita estás a ficar!
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1 comentário:

Sandra disse...

Oh minha linda que se passa contigo??? Não estou a gostar de ler-te assim...

Um beijo do tamanho do mundo!