
Para ti...
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O Amor é uma folha de papel... branca, desnudada de sentido mas que, aos poucos e poucos, vamos preenchendo com pedacinhos de nós, laços de ternura que nos prendem e nos arrastam para a imensidão assustadora dos sentimentos! Vamos pintando a folha com as cores que escolhemos para pintar o nosso céu... Lentamente, um lindo arco-íris vai-se formando! A nossa folha começa a ganhar forma e, subitamente, reparamos que nela fomos escrevendo a nossa história... aquela que desejámos para nós, a que sonhámos e que, à primeira vista, tem todos os ingredientes para se transformar no mais belo e encantador conto de fadas...
As palavras foram retiradas dos meandros misteriosos do coração, as emoções ainda têm o sabor doce a descoberta, a paisagem continua a ser pintada pelas cores suaves do sonho, a história continua a ser a nossa, a que desejámos em sonhos de menina, aquela em que um príncipe nos vem heroicamente salvar...
Mas, infelizmente, o amor é uma folha de papel... um espaço onde muitas vezes, sem pensar, sem sequer desejar, escrevemos igualmente palavras que dificilmente a borracha é capaz de apagar, onde as personagens da nossa história de encantar (aquela que desejámos sem nunca parar de sonhar!) transformam-se em duendes maus que egoistamente vêm retirar a beleza da inocência... constatamos assim, de lágrima prestes a rolar e o coração a chorar que as mais puras, doces, eternas e avassaladoras histórias de Amor pertencem a outra folha... outra folha branca que outros preencheram com palavras que o tempo não conseguiu apagar, com Sentimentos que a rotina não fez desaparecer...
Assim, perante a dura e cruel realidade, constatamos que se calhar poderíamos apagar tudo de novo e tentar fazer com que a nossa folha, aquela que escolhémos para nós, fosse novamente branca... riscar desesperadamente as letras mal escolhidas, as personagens trocadas, as palavras amarguradas que a transformaram numa folha triste... Tentámos, apagámos! Escrevemos de novo, as personagens são as mesmas, tentamos embelezar de novo a história, dar-lhe novamente vida, fazê-la brilhar de novo para que continue a assemelhar-se ao sonho de menina que ainda mora no nosso coração!
Os dias passam... a história recomeça... o brilho voltou, a nossa folha volta a ter a magia de nos contar a história, de nos eternizar os sentimentos!
No entanto, de vez em quando, vamos ver a nossa folha... afinal tudo fizemos para que voltasse a ser a que conta a mais perfeita e bela história de Amor... Lemos atentamente cada palavra...
Apesar de felizes por saber que a história continua a nossa, os sentimentos os mesmos, verificámos que ao tentar apagar e corrigí-la, marcas ficaram! Se observarmos bem, a borracha não conseguiu eliminar definitivamente as palavras magoadas, as lágrimas sufocadas em silêncios dolorosos...
Sim, estão lá! Por detrás das novas palavras, outras deixaram a sua marca... concluímos assim que nunca a nossa folha poderá ser novamente branca e pura como quando a escolhémos!
É como se tivéssemos amachucado a folha e agora tentássemos com que ela fosse novamente e lisa... é impossível! Pode continuar a ser a mesma folha, conter as mesmas palavras, as personagens não terem mudado, mas a brancura e a textura intacta da nossa folha antes de a preenchermos, essas nunca mais as conseguiremos obter...
Assim, tristes e desiludidos, apetece-nos simplesmente rasgá-la, amachucá-la ao ponto de a destruir e assim levar com ela as feridas que insistem em não sarar! Apetece-nos deitá-la ao lixo e ir buscar uma folha novinha... pronta e desejosa de ser preenchida com novas esperanças, sonhos e emoções ainda não conhecedores da mágoa da desilusão!
Mil folhas se apresentam diante dos nossos olhos, prontas a saciarem a nossa sede de sonhar, prontas a receber as novas palavras que nós poderíamos então nelas despejar...
Pensamos, hesitamos, choramos... e, de repente, num pequeno gesto insignificante, deixamos cair as resmas de papel diante dos nossos olhos...
Estupefactas, verificamos, por entre as muitas folhas que se espalham diante dos nossos olhos, que no meio de tanta brancura e perfeição, continua a haver uma que se destaca, uma que por muito que até desejemos olhar em direcção contrária, nos faz desviar o olhar...
Uma folha já amachucada, um pouco desgastada pelo contínuo apagar da borracha, uma folha que apesar de não o parecer mais, continua a ser aquela que contém o nosso maior sonho, aquele da menina e do príncipe, uma folha que mesmo não tendo mais a textura inicial, continua a ser aquela que nos faz sonhar!
E então pegamos nela. Cuidadosamente tentamos desdobrá-la, temos medo que se possa rasgar... mas, mal a temos aberta mas nossas mãos, o nosso coração volta a disparar... as personagens são as mesmas, os sonhos e as emoções ainda nos fazem querer acreditar e, por isso, decidimos lutar!
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Afinal, é a nossa folha de papel, aquela que escolhémos para a nossa história de Amor contar... aquela que permitiu que do meu ventre nascesse quem a conseguisse eternizar!
Tudo o resto não importa mais...
É a nossa folha, não há menhuma outra que a ela se consiga igualar, por isso, guardamo-la religiosamente e decidimos então lutar... fazer com que as personagens do conto tudo consigam ultrapassar para que nos braços um do outro possam continuar a Sonhar!
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Amo-te muito... apesar de nem sempre as palavras conseguirem manter a nossa folha branca a brilhar!
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